segunda-feira, 30 de novembro de 2020

A ELEIÇÃO DE EDUARDO BRAIDE E AS LIÇÕES PARA 2022

 Por Nonato Reis


Os erros oferecem um sentido pedagógico absolutamente importante. Mais do que os acertos, eles jogam luz sobre nossas atitudes e nos permitem enxergar as causas que levaram a desfechos indesejados. Um provérbio chinês, largamente conhecido, diz que “Pouco se aprende com a vitória, mas muito com a derrota”. Guevara, espécie de farol das esquerdas revolucionárias, ensinava que, “de derrota em derrota se chega à vitória”.

Faço este preâmbulo em face do resultado das eleições para Prefeito de São Luís. Se há uma coisa que Flávio Dino não pode dizer com relação à verdade das urnas, é que foi apanhado de surpresa ou que não previsse o comportamento dissidente de alguns aliados. Na política, como no xadrez, um movimento de peça pode provocar alterações substanciais no jogo.

A pedra representada por Eduardo Braide começou a se deslocar em 2016, quando, mesmo com poucos recursos e uma estrutura de campanha pífia, conseguiu chegar ao segundo turno, e só não ganhou a eleição pela entrada em cena das máquinas da Prefeitura e do Governo do Estado, que atuaram fortemente em favor de Edivaldo Holanda Júnior.

Mas ali estava marcado o horizonte de 2020. E qual foi o erro de Flavio Dino? Até os fungos do Palácio dos Leões sabiam que Eduardo Braide seria protagonista nas eleições seguintes para a Prefeitura de São Luís. Ou seja: o governador teve tempo de sobra para manobrar as peças no tabuleiro e manter o jogo sob o seu comando.


De que forma? Cooptando Eduardo Braide para o seu grupo. Afinal, ele nunca foi um adversário visceral do governo. Nunca fez oposição ostensiva a Flávio Dino ou mesmo a Edivaldo Júnior. Preferiu trabalhar em silêncio em Brasília, fazendo valer o seu mandato de deputado federal. Nunca se ligou a grupos, seja a favor ou contra o governo do Estado.

Mesmo na campanha deste ano, quando questionado sobre suas aproximações com Roberto Rocha e a ligação histórica com os Sarney, ele tangenciava, classificando-se como candidato independente, o que era uma retórica, mas que serve para avaliar o tom moderado que empregou como estratégia de marketing.

E o que fez o governador? Achou que podia subjugar o oponente com o peso da sua liderança e a força do cargo. Criou assim um consórcio de candidatos com vistas a levar a eleição para o segundo turno, e assim, entrar de corpo e alma na campanha do vencedor do seu grupo. O primeiro objetivo ele conseguiu, só que com Duarte Júnior, um nome sem apelo popular, com pouco ou quase nenhum carisma.

Me fez lembrar dois episódios parecidos, ocorridos nos anos 80, também envolvendo a sucessão para a Prefeitura de São Luís. Em 1985, Sarney, então Presidente da República, achou que elegeria um poste como Jaime Santana, sem a menor empatia com o eleitor. Seu slogan, “Força Total”, dava a ideia exata de rolo compressor com que a dinastia pretendia tratar a eleição. Gardênia Gonçalves preferiu o meloso “vem tratar São Luís com amor” e se deu bem.

Três anos depois, Cafeteira, tratado como mito da política maranhense, ignorou os apelos do eleitor, que clamava por Jackson Lago, e tentou emplacar Carlos Guterres, insípido e carrancudo. Resultado: Jackson ganhou enfrentando todo o poderio da máquina e a arrogância de Cafeteira.

Flávio Dino, pelo visto, não aprendeu as lições, e achou que, na condição de líder nacional, reverenciado pelas esquerdas como um nome provável para disputar a Presidência da República, poderia impor um aliado do seu agrado contra aquele a quem o eleitor deu sinais claros de preferência, desde 2016. Pior do que amargar uma derrota foi o desarranjo que provocou na sua base de sustentação.


Weverton Rocha, candidatíssimo em 2022, se fortaleceu ainda mais, porque agora ele vai posar como fiador da eleição de Braide, muito mais do que Roberto Rocha. Weverton decidiu apoiar Braide num momento crucial da campanha, em que todos os candidatos da cooperativa fechavam com Duarte, atendendo às ordens do Palácio. Pode-se dizer que a entrada em cena de Neto Evangelista, terceiro colocado no primeiro turno, com o apoio decidido do PDT de Weverton, foi crucial para o desfecho do segundo turno.

O cidadão interessado em política há de se perguntar: e agora? O que fará Flávio Dino? Para onde vai Weverton e seu grupo? Como se posicionará Eduardo Braide daqui para frente? Creio que até aqui houve apenas um sacolejo no grupo do governador e ele ainda tem as cartas na manga. Basta querer. Não creio que Weverton vá, de imediato, romper com o governador. Seria pura burrice e Weverton não é de cometer ato falho. Também Braide não vai recusar a mão estendida do governador, especialmente neste período de pandemia , em que os municípios carecem de ajuda financeira, bem mais que antes.

Se Flávio Dino quiser salvar seu projeto político, terá, em primeiro lugar, que aprender com os erros. Isso implica não tratar Eduardo Braide como inimigo, nem Weverton como traidor. Só que o jogo sucessório do Palácio dos Leões se delineou com a eleição deste ano. Não dá mais para Flávio Dino insistir com Brandão para sucedê-lo, nem menosprezar a força de Weverton Rocha, até porque esse é um cenário criado pelo próprio governador.

Quando ele decidiu chancelar o nome de Weverton em 2018, como um dos seus dois candidatos para o Senado, sabia perfeitamente que lhe estendia o tapete para 2022. Dino, porém, ainda tem a chance de salvar os dedos, e quem sabe até os anéis. Basta exercer a humildade, trazer os dissidentes de volta e parar de tentar mudar o que não dá mais. Tal como Eduardo Braide lá atrás, Weverton é o nome de 2022. Querendo ou não Flávio Dino.

 

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

O CANTO DA SIRICORA E OS FATOS QUE MARCARAM A INFÂNCIA

Por Nonato Reis (*)

Hoje fui exercitar o corpo no Parque do Rangedor, aproveitando a placidez das primeiras horas do ano novo. Não tolero multidão. E não consigo entender como alguém consegue se sentir bem em lugares que, de tão ruidosos, mais parecem estádios de futebol em dia de superclássico; as pessoas tentando se comunicar a todo custo, praticamente gritando, e você com aquele sorriso amarelo de paisagem. Enfim, tem gosto para tudo e não sou eu que vou ditar as preferências dos outros.

Mas retomando o fio da meada, eu corria no Rangedor quando fui surpreendido com o canto de uma siricora, que ecoou mata adentro. Ao ouvir aquele clássico “três potes, três potes, três potes...pote, pote, pote” me senti como que arremessado de volta aos confins da infância e lembrei de fatos que marcariam os primeiros anos da minha vida no Ibacazinho e me acompanhariam para sempre.

O canto da siricora produz em mim sensações antagônicas, uma mistura de nostalgia e medo e até pavor, saudade de algo que eu não gostaria de viver outra vez. Dá para entender?

Pois bem. Uma dessas lembranças é a de um sonho recorrente (ou pesadelo!) que grudou em mim até a adolescência. Sonhava que brincava com primos à noite nos arredores do Cemitério dos Anjos, e de repente uma siricora começava a entoar o seu samba de uma nota só; “três potes, três potes...”

Era a senha de que algo aterrorizante ia acontecer e todos saíam correndo, açoitados pelo fantasma de uma criança sem rosto. Os primos escapavam, menos eu, que ficava para trás, entregue à própria sorte. Mesmo assim corria desesperadamente...e quando, finalmente, alcançava a escada de casa e tentava subir os degraus, uma força misteriosa me puxava para trás e eu rolava de volta até o chão.

A siricora também permeia as lembranças da minha mãe. Ela conta que, ainda menina, a morte tomara de súbito uma colega sua, fulminada por um infarto do miocárdio. O caixão ficara menor do que a defunta e o jeito foi retirar uma de suas extremidades, deixando os pés dela de fora do esquife. Minha mãe achou graça daquilo e comentou com as amigas, que a advertiram. “Não zomba de quem já morreu porque mais tarde ela vem e te afoga”.

À noite, a luz apagada, minha mãe, completamente abstraída do quarto de dormir, corria mundo em seus pensamentos, quando teve a atenção despertada para o canto esquisito de uma siricora. Esquisito porque completamente fora de hora. Siricora só canta às primeiras horas da manhã e da noite. Nisso, um leve ruído na porta dos fundos a deixou com o corpo petrificado. Era a morta que vinha tomar satisfações com ela pelo ocorrido durante o velório.

Porém, o fato mais inusitado relacionado com essa ave ocorreria já próximo de eu deixar o Ibacazinho, aos 15 anos, para vir morar em São Luís. Um parceiro de escola e de vadiagem, ao atravessar um lago, montado a cavalo, teve provavelmente um aneurisma rompido e morreu na hora. A morte dele me abalou profundamente, e fiz questão de comparecer ao velório. Aquele rosto inchado e vermelho, como se fosse um tomate maduro, não sairia mais do meu pensamento.

Na volta para casa, de madrugada, eu caminhava a pé sobre a MA-014, perdido em divagações diante de um céu cintilante. O que acontecia com as pessoas, após a morte. Passavam para outra dimensão. Iam morar nas estrelas ou em mundos, cuja natureza não podíamos compreender? Nisso, fui surpreendido com aquele “três potes...” característico e uma onda de calor percorreu-me a coluna vertebral de cima a baixo.

Olhei para o céu. Uma estrela cadente riscou o espaço acinzelado e caiu a poucos metros de mim. Corri em sua direção. Ela ressurgiu adiante. Fez uma espécie de voo rasante sobre a minha cabeça e se perdeu para sempre no espaço infindo. Longe, muito longe a siricora retomou o seu canto, como se de mim ausente: “três potes... três potes... três potes ...pote, pote, pote”.

Nonato Reis é jornalista e escritor. Escreveu este texto em 01/01/2020. Integra o livro "Os Sinos da Matriz", com lançamento previsto para 2021.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

De como a história puniu a ingratidão de Flávio Dino…

 Por MARCO AURÉLIO D'EÇA

Todas as lideranças políticas usadas pelo governador para chegar ao poder no Maranhão – e depois descartadas por ele – hoje se voltam contra o seu candidato a prefeito, numa derrota anunciada que tende a reverberar em 2022

 



Os arroubos autoritários do governador Flávio Dino (PCdoB) e seus auxiliares mais dependentes neste segundo turno eleitoral revelam um desespero diante de uma tragédia anunciada.

Com seu candidato debaixo do braço, ele deve perder a eleição de domingo, 29.

Mais além da derrota de Duarte Júnior (Republicanos) – que não conseguiu unir a base governista em torno de si – o segundo turno das eleições em São Luís revela a Flávio Dino como a história pune os ingratos.

Todas as lideranças políticas que ajudaram a fazer de Flávio Dino uma figura política, hoje se voltam contra ele nestas eleições: do ex-governador José Reinaldo à ex-primeira dama Clay Lago; do ex-ministro Edson Vidigal ao ex-presidente da OAB-MA, Mário Macieira.

De uma forma ou de outra, Dino usou este pessoal e os abandonou à própria sorte, preferindo buscar adoração em seus pupilos idólatras no governo e na mídia.

Mas a fatura chegou.

A realidade imposta nas eleições de 2020 mostra que o governador comunista não tem grupo, não tem seguidores, a não ser uma meia dúzia de puxa-sacos, e não tem, sobretudo, conselheiros, que se decepcionaram com sua trajetória.

A pouco mais de um ano de deixar o cargo (em abril de 2022), Flávio Dino começa a perceber que a liderança que ele achava ter na verdade não existe. Ele é apenas mais um governador que usa o mandato para forjar poder. E geralmente, nestes casos, o poder se esvai com o fim do mandato.

É óbvio que o comunista – que sonhou e ainda sonha ser liderança nacional – vai continuar a usar o cargo para criar uma bolha de poder em torno de si; mas já começa a parecer apenas uma caricatura do que foi na eleição de 2014.

E quanto mais se aproximar o fim do mandato, menor ele ficará em relação à classe política.

É a história punindo a sua ingratidão…

 

Reta final do 2⁰ turno levanta cheiro de pólvora em São Luís

 Por Raimundo Borges 


A disputa do segundo turno em São Luís é um Deus nos acuda. Apenas três dias separam a campanha que termina na sexta e o eleitor da urna eletrônica no domingo. O voto, neste caso específico, não terá ideologia de esquerda nem direita política. A ideologia que permeia a política maranhense desde 2014 virou poeira. No corpo a corpo, Eduardo Braide (Podemos) tem esse curto espaço de tempo para segurar sua vantagem apontada nas pesquisas, e Duarte Júnior (Republicanos) precisa disparar na reta final para alcançar o concorrente e resolver no último boletim do TRE.

Existem nas redes sociais várias tabulações matemáticas aplicadas à eleição, usando-se os números do primeiro turno para mostrar que a vantagem de Braide de 193.578 votos (37,81%) contra 113.430 votos (22,15%) do opositor Duarte exige muito mais do que apoios dos candidatos que ficaram para trás, ou da ação determinada do governador Flávio Dino. É preciso, cada um a seu modo, avançar sobre o universo dos 205 mil votos contabilizados pelos oito candidatos que ficaram para trás no primeiro turno, no qual se misturam desde os eleitores bolsonaristas fiéis, do candidato Sílvio Antônio (PRTB), aos dos “comunistas” que votaram em Rubens Júnior, ou os do Professor Franklin Douglas (PSOL).

Na presente campanha, no entanto, o eleitor é mais seletivo, mais exigente e mais atento ao que cada um tem de propostas para a cidade. Vale ainda lembrar que tanto Eduardo Braide quanto Duarte Júnior tem a disposição para convencer, os 16.683 (3%) que votaram em branco, mais 24.786 (4,48 %) que anularam o voto e o gigantesco eleitorado 146.455 votos (20,92 %) que se abstive de votar, mas que poderão comparecer neste domingo à secção eleitoral e regularizar a situação política junto ao TSE.

Portanto, nesses dias restantes de campanha pode até o mar pegar fogo. No horário eleitoral o tempo fechou e o tiroteio com chumbo-grosso, com acusações dos dois lados estão ganhando mais atenção do que as propostas. Resta saber se tal tipo de confronto, iguais a tantos outros vistos em eleições passadas em todos os níveis de disputa, atinge a sensibilidade do eleitor a ponto de fazê-lo a mudar o voto ou mantê-lo conforme o primeiro turno.


A fervura do caldeirão de São Luís subiu logo após o resultado do primeiro turno. Assim como Flávio Dino agiu rápido para organizar um bloco de partidos e lideranças como reforço à candidatura de Duarte Júnior, seu aluno no curso de Direito na Ufma, a reação de Eduardo Braide veio no mesmo tom. Juntou a turma antiflavista e parte dos aliados do comunista, como Iglésio Moisés, Neto Evangelista, Carlos Madeira, Josimar do Maranhãozinho e uma bancada de vereadores, para contrapor o seu adversário, que puxou Rubens Júnior, Eliziane Gama, Bira do Pindaré e uma leva de secretários estaduais, municipais e deputados.

Vai ser um segundo turno histórico, mais aguerrido do que o de 2012, em que Edivaldo Júnior derrotou o então prefeito tucano João Castelo, e o último em que ele repetiu a dose, em 2016, contra o então deputado estadual Eduardo Braide, ainda no PMN. Edivaldo teve o apoio do mesmo Flávio Dino, ainda sem mandato em 2012, e já como governador em 2016. Agora, porém, o adversário é Braide, deputado federal e bom de voto em São Luís.

Numa eleição em que já acenderam o farol da Alexandria da disputa de 2022, do Palácio dos Leões, o senador Weverton Rocha, que controla o PDT com pulso de Mike Tyson desde quando Jackson Lago sucumbiu politicamente, com a perda do mandato, e também, depois de sua morte em 2011, liberou o partido para apoiar Braide e se recolheu à neutralidade. Trata-se de uma posição que já trinca a base flavista antes mesmo de terminar o processo eleitoral de 2020 na capital maranhense.

A pergunta que não quer calar: por que Edivaldo Júnior, com o encerramento de uma gestão profícua, há muito tempo não vista em são Luís, e pontuando alto nos índices de aprovação, decidiu se distanciar as eleições de sua sucessão. Edivaldo nem define apoio, nem discute o barulho que ronda a sua cadeira no Palácio La Ravardiére.

Assim, os quatro que mais se confrontaram no primeiro turno embarcaram, separadamente, nos dois barcos do segundo. Rubens Júnior e Duarte Júnior andaram a ponto de se atracarem nos debates televisivos. Mas os “momentos de emoções ferventes” passaram e eles se ajuntaram. Já o candidato do DEM, Neto Evangelista, que acusou Eduardo Braide de ter sido “o pior presidente da Caema”, também passou uma esponja no quadro e ingressou no bloco líder do Podemos. Palavras são palavras, nada mais que palavras.

 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Juca, o moço velho

Por Gracilene Pinto

Juca era “moço velho”, como se chama no interior do Maranhão o homem que não casou nem se amancebou. Diziam que o velho havia morado uns meses com uma moça muito bonita para os lados do Pará. Morena carnuda, descendente de índios; cabelos negros longos a descer sobre os peitos firmes e pequenos; cintura fina; coxas fornidas, bunda bem torneada, e se mostrava muito apaixonada por Juca. Porém, logo na primeira viagem que o homem precisou fazer, a mulher sentiu que seria dura a solidão de uma noite inteira sem uma costela a dividir a rede e convidou um sujeito para dormir com ela na própria casa onde morava com o companheiro. Dormiram juntos em uma das redes de Juca.

Em situações desta natureza, o marido até pode não ser o primeiro a saber, mas sempre termina sabendo. De um jeito ou de outro. E no caso em pauta, quando Juca voltou de viagem não faltou quem lhe contasse todo o acontecido.

Juca, um baixinho valente como o não sei o que diga, ao princípio sentiu vontade de matar os dois. Ou, pelo menos, de dar uns tabefes na manceba, para que aprendesse a respeitar cara de homem.

Onde já se viu, uma sujeita vagabunda daquelas, a quem tirara de uma choupana miserável e tratara com toda dignidade, como agradecimento lhe enfeitar a testa com um par de chifres logo na primeira oportunidade, sujando seu nome e ferindo sua dignidade ao impingir-lhe o epíteto de corno?! Só com sangue é que os machos de verdade lavavam a honra em casos destes.

Porém, Juca refletiu melhor. Pensou que se matasse um dos dois, ou os dois, seria preso e iria estragar sua vida. E porquê? Por causa de uma mulher à toa, que não lhe merecia sequer um olhar, um pensamento. Por outro lado, nem chegara a casar-se com a rapariga, afinal. E se não casou, não era marido. Chifre quem leva é marido, ora bolas! Se não era marido, também não podia ser corno. Pensando assim, não havia qualquer desonra para ele na traição da sujeita, não é mesmo?

Então, como era Juca um homem temente a Deus, de grande religiosidade, daqueles que não dormem sem rezar o Rosário de Nossa Senhora, pois até mesmo era membro da Legião de Maria, além de cidadão honrado, seguidor das leis de Deus e dos homens, mais kelseniano impossível existir, pois para ele o “dura lex sed lex” era código de honra, pensou melhor e decidiu não fazer nada.

Quer dizer, não fazer nada, vírgula. Juca tomou uma medida menos drástica. Simplesmente, mandou a mulher embora e queimou a melhor rede da casa, uma peça artesanal branca tecida com finíssima linha de algodão, com um varandão enorme que trazia até o nome do dono no bordado de preenchimento. Verdadeira obra de arte!

Tempos depois, ao tomar conhecimento dos fatos, o irmão mais velho de Juca riu muito caçoando da bobagem do mano em queimar uma obra de arte do tear como aquela. Mandasse a mulher embora, mas deixasse a rede. Diminuiria o prejuízo.

(Trecho do livro O QUARTO MARIDO de Gracilene Pinto)

Presidente do Fórum em Defesa da Baixada, João Martins é eleito prefeito de Bequimão


O presidente licenciado do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), Dr. João Martins, foi eleito, no dia 15 de novembro, o prefeito de Bequimão para os próximos quatro anos.

Ao fim da apuração, Dr. João Martins obteve 50,71% dos votos (7.412 votos no total). A maioria do eleitorado reconheceu a gestão competente do atual prefeito, Zé Martins, que apoiou a candidatura do prefeito eleito.

A diferença de João Martins para o segundo colocado foi 3.778 votos. Em comparação com o terceiro colocado, a vantagem foi ainda maior (4.186 votos). Lideranças políticas e comunitárias fizeram uma grande festa na sede de Bequimão em comemoração pela vitória de João Martins (MDB) e Magal (PT), no dia em que os bequimãoenses decidiram o futuro do município.

João Martins já exerceu funções de destaque, como o cargo de Diretor Superintendente do Sebrae e da Codevasf, em que prestou relevantes serviços na área do empreendedorismo e formação de líderes, funções essenciais para progresso das regiões da Baixada e do Litoral Ocidental. João tem o perfil de excelente gestor. Sensível. Competente e acima de tudo prático. O povo de Bequimão não poderia ter escolhido candidato melhor. 

João Batista Martins é natural de Bequimão, tem 50 anos, é casado, médico veterinário, sócio fundador do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e já exerceu o cargo de Presidente de Honra na instituição.

 Com informações do Blog do Vandoval Rodrigues.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

A derrota do PCdoB em São Luís: início do fim?

 Por Steffano Silva Nunes


Parabéns a Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos) pela vitória na eleição que os leva ao segundo turno. Os dois tem seus méritos nesse processo. Se empenharam e foram inteligentes na construção e condução de suas campanhas, mesmo sem contar com o apoio do governo estadual ou da prefeitura. Foram acusados de serem da base do Bolsonaro, quando na verdade os dois estiveram até pouco tempo gravitando na base da esquerda com o governo estadual. Duarte era filiado no PCdoB e Braide foi líder do governo na assembleia.

Os dois buscaram novos caminhos políticos quando perceberam que o campo da esquerda no Maranhão está subordinado às decisões do governador Flávio Dino, que decide tudo sozinho. Duarte Júnior, em especial, pôde sentir na pele o gosto do “fogo amigo” à medida que crescia nas pesquisas. Foi o mais atacado na reta final. Talvez o espaço do segundo turno não seja suficiente para sarar as feridas.

Estou no PCdoB há 32 anos. Cheguei lá antes do governador e sua turma. Tenho observado que a cada dia deixamos de ser um partido para nos tornarmos apenas uma legenda, aqui no Maranhão. Não há mais debate na militância. Os eventos partidários se tornaram meras solenidades com as mesmas pessoas falando e as demais aplaudindo. O último presidente estadual do partido com histórico de militância, Gerson Pinheiro, um sindicalista negro e pobre, foi “tirado” de forma estranha para dar lugar ao atual governador que na época era deputado. Depois que o governador deixou a presidência, ela não voltou para o Gerson, foi “repassada” a um amigo do governador que havia chegado com ele.

Neste cenário surgiu a candidatura do PCdoB à prefeitura de São Luís. Uma candidatura que nasceu morta. Pois o nome “escolhido”, sabe-se lá como, não tem a cara do partido. Apesar de aparentar ser uma boa figura humana, surgiu na política em um partido de direita, emprestando o nome ao pai que não podia concorrer. O mandato de deputado estadual conquistado aos 22 anos de idade, foi uma herança de família, onde a árvore genealógica está cheia de mandatos na política maranhense. Não tem nada a ver com o PCdoB.

Para a situação ficar pior, perdemos também a eleição em imperatriz, segunda maior cidade do estado, onde havia uma perspectiva de vitória. E para piorar um pouco mais, o atual vice prefeito de São Luís, filiado histórico do PCdoB, não conseguiu sequer se eleger a vereador. A votação foi tão pequena que não se elegeria em nenhum outro partido da mesma forma.

O governador já anunciou, na noite de domingo, que apoiará Duarte Júnior no segundo turno. Não esperou sequer uma reunião partidária de avaliação. Mesmo que a opção seja Duarte, o governador quer continuar tomando as decisões sozinho e ao invés de liderar busca apenas ser seguido e foge das decisões coletivas.

O candidato do PCdoB à prefeitura de São Luís ficou em quarto lugar e sequer ameaçou chegar em terceiro. Um desempenho muito ruim que mostra claramente que a militância não entrou em campo, ficou na arquibancada e cruzou os braços, não aceita mais decisões de cima pra baixo. A população também deu seu recado mostrando que a Ilha Rebelde continua rebelde e não segue candidaturas impostas.

A situação do Maranhão é um alerta para a direção nacional do PCdoB. Tudo pode ser corrigido. É impossível imaginar o nome do governador em uma disputa nacional com uma derrota desse tamanho dentro de casa. Está na hora de vermos novos caminhos. Caso contrário, o resultado da eleição, com esse modelo de liderança que temos aqui, pode ser o início do fim.

 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Enfim... as eleições!

Se minha mãe estivesse viva certamente ela diria: “ainda bem que chegou o dia dessa chatice de eleição”, se referindo ao dia 15 de novembro, próximo domingo, onde os eleitores escolherão os novos dirigentes municipais. Isto porque nos últimos 45 dias a cidade de São João Batista viveu um verdadeiro festival de “barulhos”, “apitaços” e tudo o mais que pudesse tirar a paz dos joaninos. Mas ainda que estejamos em “stand by” de uma pandemia que ameaça uma segunda onda de contágio, em São João Batista os candidatos caíram de cabeça, alma e coração na campanha, levando os eleitores a uma histeria bem pouco vista (ou nunca vista) nos últimos tempos por estas bandas.

Mesmo tendo cinco candidatos concorrendo ao cargo de Prefeito, o barulho e a polarização se deram mesmo em torno dos três principais candidatos: Mecinho, segundo colocado na eleição de 2016; Carlos Figueiredo que concorre com real chance de disputa pela primeira vez e o atual prefeito João Dominice.

Se olharmos a situação com “olhos de satélite” podemos dizer que a situação é indefinida, imprevisível, dada ao volume de campanha, o vai-e-vem dos simpatizantes, e o desejo daqueles que querem é estar na folia, seja de um ou de outo. Todos chegaram até aqui dizendo que ganham a eleição. Mas afinal de contas quem ganha a eleição em São João Batista? Zé Gatinho certamente responderia de forma reticente: “saberás...!”

Dos cinco candidatos na disputa, Zé Abreu (MDB) e Serginho Castro (Solidariedade) apresentaram tímidos volumes de campanha bem como apresentaram poucos candidatos a vereadores em suas chapas, o que faz significativa diferença, numa eleição majoritária.

Na polarização os outros três candidatos.

Se João Dominice renovar o seu mandato para mais quatro anos, será sobretudo uma vitória de Eduardo Dominice, seu filho, que contabilizará a quinta vitória consecutiva para o executivo municipal, algo inimaginável pra quem não teve o seu umbigo enterrado em solo joanino, mas que aprendeu a fazer política como poucos, sem tirar os méritos do velho JD. É possível que haja alguém que queira coroá-lo como “D. Eduardo I – o rei de São João Batista”.

Se entretanto o vencedor for Carlos Figueiredo será a vitória de um grupo grande, porém pouco harmônico a meu ver, que esteve junto, mas não unido. Foi, entretanto, a olhos vistos o maior grupo de ex-prefeitos a apoiar um candidato. Ganhando será a vitória de todos, perdendo, será a derrota de todos, inclusive dos novos cardeais da política estadual, entenda-se FD, WR, MJ e Cia Ltda.

Dando Mecinho, será a vitória de um projeto. Um candidato que vem do legislativo. Que focou em 2016, ficando em segundo lugar, mas que ampliou suas bases, consolidou-se para 2020 com reais chances de vitória, apesar de não ter ao seu lado nenhuma “velha estrela” da política joanina.

Bons projetos, todos têm. Boas intenções, todos juram ter! Cabe ao eleitor decidir.

Vamos às urnas na esperança de ter uma cidade bem melhor! Boa sorte ao vencedor!

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O VOTO CONSCIENTE

 Por Marcondes Serra Ribeiro


É indiscutível a importância do voto e o histórico dessa conquista social tão relevante, principalmente às classes menos abastadas financeiramente, torna-o bem mais valoroso, porque não foi fácil – foi conseguido com muita luta, com o propósito de assegurar o direito do povo de eleger seus representantes, os gestores do patrimônio público, promotores do “Bem Comum”,  que deve se direcionar à contemplação da melhoria da qualidade de vida de todos, através da aplicação das políticas públicas resolutivas dos problemas sociais persistentes.

O exercício digno da cidadania consolida o verdadeiro sentido da democracia e o direito de votar deve servir para expressar a vontade da maioria, mas é fundamental que seja exercido com a respeitável liberdade de escolha e plena consciência, após análise dos candidatos, sem quaisquer influências corruptivas.

É lamentável que esse importante direito configure-se tradicionalmente como uma situação de difícil associação entre a atitude e suas consequências, enquanto o eleitor não se conscientizar do importante valor de seu voto, enquanto o restringir à insignificância de ser apenas um e que não fará a menor diferença, porque todos os candidatos são considerados  iguais, quando há, de verdade, embora raramente, trigo em meio a tanto joio, enquanto os eleitores esquecerem que muitos outros pensam e votam nos mesmos moldes e que centenas de votos com essa mesma identidade desvalorizada, quando somados, decidem um pleito e elegem  aqueles que se revelam corruptos, estaremos sofrendo e reclamando-nos dos próprios erros.

O certo e comprovável é que existe um significativo grupo de pessoas descrente da política – com justas e facilmente  comprováveis razões,  como também os oportunistas aproveitadores da situação dos políticos que empreendem a necessária  “caça ao voto”, sem preocupações com a ética  e a legalidade e, em vez de conquistarem-no com projetos de trabalho público, fazem ofertas negociadoras de compra e ofertas de vantagens pessoais, como cargos comissionados, empregos com salários completamente ilícitos e benesses “informais” - totalmente ilegais  junto ao poder público.

São detalhes importantes que denotam um certo patrimonialismo - ainda presente na cultura politiqueira brasileira, sem distinção entre bens públicos e privados, num joguinho direcionado a contemplar determinadas pessoas, como se fossem cartas marcadas de um baralho adulterado para consecução dos resultados previstos. Políticos menores são manobrados pelos maiores e pelas grandes empresas, os reais possuidores do poder, mas também aqueles que militam diretamente nas bases, manobram com a maioria incauta constituída por um povo desinstruído e bem disponibilizado ao antigo cabresto.

Sem sombras de dúvidas, um voto consciente sempre será melhor do que um voto negociado, vendido, anulado, ou atribuído como uma brincadeira passageira. A responsabilidade cidadã não deve ser subestimada, porque a atenção ao Bem Comum precisa estar acima das questões pessoais, portanto, que prevaleça o bom senso e o voto seja dado com a mais absoluta consciência de justeza e boa intenção!  

Nestas eleições, seja um digno e responsável cidadão e vote consciente!