segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Salário de Neymar é um desrespeito com a humanidade

Por  Cunha Santos


“A bola rola e é gol da fome”, disse uma vez o poeta tangido pela pobreza circundante em seu país quando, em pleno vigor da ditadura militar o “escrete canarinho” era usado para mascarar de democracia um regime de exceção e doirar situações extremas de penúria, torturas, mortes e autoritarismo.

A “pátria de chuteiras” orgulha-se agora de donatária do craque mais caro do mundo. O passe de Neymar custou mais de R$ 800 milhões e seu salário alcançará a estratosférica quantia de R$ 115 milhões por ano. Isso dá um salário mensal de cerca de 9,5 milhões de reais. E sendo mais específico ainda, ele ganhará o equivalente a R$ 319 mil reais por dia. Ou ainda cerca de 13.200 reais por hora. O craque receberá, por um contrato de 5 anos, algo além de meio bilhão de reais. Toda essa enormidade de dinheiro para chutar na direção certa uma bola de futebol.

Nesse mundo de guerras fratricidas provocadas pela miséria, de fome e desemprego, de crianças sem escola, sem saúde e sem alimento, de refugiados se afogando em marés de inanição, não me parece que esse deva ser um motivo de orgulho para o Brasil. Nem para o Brasil, nem para o Paris Sain’t Germant, nem para a Espanha, nem para país nenhum.

É um desrespeito, uma humilhação para com uma humanidade cuja maior parte navega um mar de desgraças e muito sofrimento. No Brasil em que a pusilanimidade política faz com que uma Reforma Trabalhista corroa direitos seculares dos trabalhadores e uma Reforma Previdenciária pretende transformar aposentados e pensionistas em velhos esmolengos disputando moedas, esse monumento ao capitalismo selvagem e à alienação soa como crime nas panelas e pratos vazios do subemprego e da desnutrição.

Observo que quase 1 bilhão de pessoas ainda sofrem com a fome em todo mundo, vivendo com menos de 1,25 dólares por dia e que o Brasil está entre os 21 países mais miseráveis do planeta. Conferir um salário equiparável a um prêmio da Mega Sena acumulada, todos os anos, a um único ser humano é primeiro reconhecer o fracasso prático e teórico de todas as boas intenções, todas as políticas de elevação moral e espiritual do homem.

Esse espetáculo, o futebol, que altera níveis de adrenalina ao redor do mundo e reúne multidões incalculáveis em suas arenas romanas, certamente merece seus heróis. Mas sinceramente a fila de aleijados e desassistidos nas portas dos hospitais da América do Sul, os esqueletos ambulantes da África Oriental, a adolescência e a infância tangidas ao crime pela fome e desorientação também são espetáculos, se não dignos de euforia e supremação, pelo menos de assistir e observar.

“Neymar não tem nenhuma culpa disso”, dirão muitos ou todos. Sim, ele não tem culpa. Ninguém tem. São esses apenas testemunhos infalíveis de que, diante de Deus, ou da ideia de Deus, a humanidade fracassou.

Mas é gol. O mundo grita gol, o Brasil grita gol, ninguém está obrigado a refletir sobre nada disso. Vamos comemorar.


(Com breves intervenções do editor do Blog)

domingo, 6 de agosto de 2017

A CRÔNICA DO DIA

HOJE É DIA DE... 

O homem que deu à luz uma cobra

(*) Nonato Reis

Nonato Reis
Marcelino “Barriga de Espelho” foi cultuado em Viana e região pelas gerações seguintes à proclamação da República. Até a deposição de Getúlio Vargas em 1945 seu nome ainda provocava espanto e gestos de admiração, como o único homem daquelas terras capaz de fecundar e criar na barriga uma serpente, e a ela sobreviver como que por encanto ou milagre divino.

Chegara às terras da Palmela ainda garoto, junto com a família, vindo do Cajari, então localidade pertencente ao território de Viana. O pai, Vitalino, mudara-se para a Palmela a convite do velho Antônio Feliciano de Mendonça, que o queria como capataz da sua fazenda, a essa altura ainda em formação. Assim cresceu em meio às agruras dos campos de pastoreio, aprendeu a cuidar do gado e da plantação, tornou-se o melhor vaqueiro das redondezas.

A extrema habilidade no manejo do gado e no cultivo da terra contrastava com as relações no campo pessoal. Era bronco, tolo, desajeitado. As mulheres, tratava-as como se fossem vacas. Certa vez, cansado de levar “fora” de uma mulher muito mais velha, que trabalhava na Casa Grande como dama de companhia, pegou-a no laço e a levou para o mato.

Foi um pandemônio dos diabos, a mulher chorava feito criança, dizendo que Marcelino à forçara a fazer sexo com ele. O velho Feliciano, homem diplomático, porém enérgico, teve que intervir na história, e depois de chamar os dois às falas e puxar as orelhas do vaqueiro, deu o assunto por encerrado. Seu Vitalino, preocupado com a rudeza do filho, tentava incutir-lhe modos. “Meu filho, mulher é como passarinho; se você não tiver paciência e jeito, não entra na gaiola”.

Bons eram os puteiros, cujas “gaiolas” viviam abarrotadas de “passarinhos”. Certa vez, passara seis meses no mato, levando o gado de um canto a outro, fugindo do duro inverno que castigara Viana, inundando os campos completamente. Ao retornar “na pedra” correu ao “Cabaré de Ingraça”, escolheu uma bela morena, pediu que lhe saciasse a fome de sexo. A mulher, treinada no ofício, apresentou-lhe o cardápio. “Você quer uma trepada simples, “de quatro” ou ‘na engenhoca’?”. Ele coçou a cabeça, achou a terceira opção interessante e a escolheu.

A mulher o amarrou em pés e mãos nos suportes da cama, subiu sobre ele e começou o movimento.  Crescidos à solta, os pelos dela, rijos e fartos feito palha de aço, entrelaçaram-se aos dele, igualmente densos, e, à medida que girava sobre o eixo intumescido do homem, formavam-se cordas, que sob forte pressão, arrancavam tufos de pentelhos dos dois.

Marcelino gemia de dor. Pedia socorro, mas quanto mais gritava, mais a mulher rodopiava. “Fecha os olhos e goza, meu bem, que é a engenhoca”, pedia a mulher naquele giro alucinado. Terminada a sessão, ela olhou o traseiro dele e viu que depositara sobre o lençol uma coisa pastosa. “Meu filho, o que foi isso?” E ele: “foi o bagaço da cana”.

Porém o episódio que marcaria para sempre a vida de Marcelino e o faria conhecido como “Barriga de Espelho” aconteceu alguns anos depois. Ele começou a definhar. Perdeu peso e viço. A única coisa que crescia era a barriga, a cada dia maior, a ponto de brilhar e reluzir feito espelho. Chamaram o velho Trancoso, farmacêutico e médico sem diploma, porém com fama de milagreiro.

Trancoso morava na quinta que levava o seu nome, à beira do Igarapé do Engenho. Ali mantinha uma farmácia de manipulação com remédios para todos os males, de asma a gripe, úlcera e tuberculose. Preparava as fórmulas de sua própria cabeça e a elas dava nomes às vezes jocosos. Havia o “peitoral de urucu”, para tosse; o “lambedor de jurubeba”, para prisão de ventre, e até as pílulas “arrebenta pregas”.

Após o exame tátil, Trancoso formulou o diagnóstico de Marcelino, mas guardou-o para si. Pegou uma bacia grande de alumínio e lavou-a com sabão. Nela depositou dois litros de leite e ferveu. Quando o leite amornou na bacia, mandou Marcelino sentar de cócoras sobre ela, sem olhar para baixo.

Meia hora depois, ordenou que levantasse. Na bacia, para espanto geral, jazia uma cobra imensa, medindo mais de sete metros de comprimento. “Eis a solitária que te devorava as entranhas”, disse Trancoso. A notícia correu mundo e Marcelino para sempre ficaria conhecido como “Barriga de Espelho”, o homem que dera à luz uma cobra.


(*) Nonato Reis, jornalista, poeta e escritor, natural de Viana- Maranhão.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A importância da merenda escolar

Por Luiz Figueiredo (*)

Luiz Figueiredo
As nossas prestimosas mães já se preocupavam com a nossa alimentação na escola desde há muito tempo. Quem não se recorda do cuidado que sempre tiveram em colocar um pão com manteiga, uma fruta ou um pedaço de bolo nas nossas mochilas para que suportássemos a jornada em sala de aula? Muitos alunos se deslocavam quilômetros, e enfrentavam o sol à pino ou dias chuvosos com caminhos quase intrafegáveis até o retorno aos lares. Claro que estamos falando nas famílias com uma situação financeira um pouco melhor. Imaginem as crianças subnutridas cujos pais dispunham no máximo do feijão com farinha, da criação doméstica de aves e porcos ou da pesca dependendo, claro, do período.

A alimentação nas escolas passou também a ser preocupação do governo federal e foi a partir de 1955, no governo do Presidente Café Filho que assumiu com o suicídio de Vargas, instituído O Programa Nacional de Alimentação Escolar. Acredito até que tenha sido concebido ainda no Governo do Presidente Vargas presidente populista, apelidado Pai dos Pobres. Em São João Batista, o então Deputado Francisco Figueiredo já se preocupava com essa situação e trouxe para o município o programa americano “Aliança para o Progresso” liderado pelo Presidente Kennedy, com farta distribuição de leite em pó de excelente qualidade às famílias carentes. O programa sucumbiu junto com o falecimento do jovem Presidente dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o Governo Federal claudicava na distribuição regular da merenda disposta de forma desorganizada deixando os municípios sem o repasse dos recursos financeiros para esse fim, e até as verbas federais denominadas quotas federais eram transferidas apenas duas vezes por ano, situação que veio a ser regulamentada no governo Castelo Branco, com a criação do Fundo de Participação dos Municípios – FPM. A Constituição Federal de 1988 no seu Art. 208 previu a criação do Plano Nacional de Merenda Escolar, entretanto centralização das compras em grandes quantidades tornou-se uma fonte de corrupção obrigando o governo central a descentralizar a distribuição dos recursos, que passaram a ser feito diretamente aos estados e municípios como forma também de fortalecer as economias locais, e incentivar a produção para atender às necessidades do programa.

E assim chegamos no ponto crucial, no cerne desta questão, aquilo que deveria ser uma solução, tornou-se um problema de grandes consequências negativas para os alunos do ensino fundamental e básico de escolas públicas. Pela irresponsabilidade de muitos gestores esses recursos são desvirtuados na sua essência e desviados criminosamente em detrimento dos seus fins relevantes, não só em prejuízo dos alunos mas da educação fundamental e básica como um todo. Muitos prefeitos não estão preocupados nem um pouco com alimentação nas escolas.

Por muitas vezes encontrei alunos e professores retornando para as suas casas muito antes do horário normal, por volta das nove, nove e trinta da manhã, fiquei curioso e perguntei, a resposta foi sempre a mesma: não tem merenda, as crianças estão com fome. Isso é verdade não só no nosso município de São João Batista, mas em grande parte dos municípios brasileiros. Deixar uma criança com fome é lamentável, para não dizer que é um ato criminoso. Criança sem alimentação é criança triste, desanimada, com baixo índice de aprendizagem, contribuindo muito para a evasão escolar. No início parecia que tudo ia bem, mas não tardou para que gestores inescrupulosos usassem e abusassem dessas verbas, e verdadeiros absurdos vem sendo cometidos, vemos isso a todo instante nos noticiários.

Com o repasse dos recursos diretamente para os municípios ficou, em tese, mais fácil a aquisição dos gêneros para a alimentação e o fomento ao desenvolvimento da economia local. Usando os produtos da agricultura familiar cujos preços são muito mais acessíveis e a criatividade para produzir uma merenda de qualidade a baixo custo, com orientação de nutricionistas.

Uma sugestão seria comprar e abater gado bovino e transformar em carne de sol, que é a base de um prato saboroso e nutritivo, o arroz de MARIA IZABEL, com caldinho de feijão. Lembram-se do charque que era fornecido antigamente, como era bem aceito. Na nossa região temos uma produção muito grande e variada de mangas, cuja produção é quase toda perdida, o caju, a goiaba, a banana que poderá ser transformada em banana seca, enfim uma quantidade variada que depois de industrializada ajudará na qualidade da alimentação escolar. E a fécula de mandioca tão abundante, para o preparo de beijus e bolos. Em São João Batista já existe um local bem apropriado para o preparo da carne de sol, o Mercadinho Paulo VI, com as devidas adaptações. A verdade é que essa merenda escolar que vem sendo distribuída é de péssima qualidade, suquinho com biscoito não é alimento para quem estuda.

Não se pode admitir que a merenda escolar em estoque venha estragar, segundo o que está divulgado, por culpa do promotor, vejam que absurdo, o ministério público está ai para fiscalizar o cumprimento da lei e jamais para dificultar ou atrapalhar, como estão dizendo, a distribuição da merenda. Que interesse teria a justiça de prejudicar as crianças e alunos de São João Batista? Não é verdade, asseguro a todos, o que acontece é a incapacidade dos gestores. O município sempre teve o seu quadro de funcionários da educação incluindo merendeiras, cozinheiras, serventes, zeladoras e outros, agora, de repente, não há pessoal para distribuir a merenda? Vamos procurar outros meios, usemos a criatividade, convoquemos voluntários, contratemos a título precário ou provisório prestadores de serviços. Basta solicitar à Câmara Municipal uma Lei para essa contratação provisória. Se é que a merenda existe não deixemos as crianças com fome. A incompetência não contribui para o bem estar de todos!

Não procurem colocar a culpa em que não tem, o Ministério Público está atento para que a lei seja cumprida sempre, se no início de uma administração já se evidencia vícios, imaginem o que seria até o final da administração se não fossem essas correções feitas pelo judiciário, São João Batista é um bom exemplo. Finalizando conclamo a todos para duas providencias, fiscalizar e apresentar soluções.


(*) Luiz Figueiredo é administrador e ex-prefeito de São João Batista.

sábado, 29 de julho de 2017

A CRÔNICA DO DIA

HOJE É DIA DE... 

 BONI, O PEGADOR DE MULHERES

(*) Nonato Reis

Dizem que muito tempo depois ainda se ouvia a voz por entre as sombras dos sepulcros, a ecoar a seiva que lhe dera a vida: “eu quero é mulher!”. Benevoluto, o Boni viveu para amar o sexo oposto. Por ele dedicou a existência e a própria morte. Nem Salomão, com o seu vasto harém, chegara a tanto. Amou com a intensidade da alma e semeou a sua existência no solo sagrado da mulher, como quem lança grãos de uma semente rara em terra fértil.
Fisicamente, nada tinha de especial. Nem mesmo espiritualmente. Era um sujeito normalíssimo em quase todos os ângulos da visão. Mas era dotado de uma energia, um magnetismo que o destacava na multidão como a luz a rasgar o escuro. Sei que soa preconceituoso afirmar isto, mas bastava a mulher se aproximar dele e já parecia fadada a virar presa fácil. Uma noite de cama com ele e nove meses depois a escolhida daria à luz mais um de seus incontáveis rebentos.
Foi assim com “Dalva, a ordinária!”, “Branca, a mal falada”, “Diana toda sorriso”, “Alexandra, a sisuda”, “Poliana, a bruxinha”, “Zulmira miudinha” e assim sucessivamente. A todas com quem deitava premiava com um aposto, como a inscrever a sua marca. Até Crisalda, primogênita do Coronel Ponciano, homem brabo da gota e dono de terras incontáveis, caiu na rede de Boni.
Chegara da capital, formada normalista, para ensinar os filhos dos vaqueiros do coronel e dos demais colonos da região. Um dia olhou o rio, descendo risonho e sereno, e quis banhar-se em suas águas. Afundou feito uma pedra. Na agonia gritou por socorro e viu-se de repente nos braços redentores de Boni. “A professora precisa ter cuidado! O rio é bonito, mas tem seus perigos”. Resgatada das águas, mergulhou no azul daquele olhar profundo para deles se tornar refém para sempre.
Ali mesmo às margens do Maracu abriu-lhes as pernas e se deixou invadir por aquela avalanche de brisas e trovoadas. Dois meses depois a notícia correu beirada e estourou nos ouvidos do coronel, que juntou a cabroeira e foi ter com o pegador de sua filha. Amarrado com as mãos para atrás, os testículos sobre uma tábua de pau d’arco, Boni viu o jagunço armado com uma queixada de boi, pronto para a operação. Vestido a caráter, calças de caqui enfiadas em botas de vaqueiro, revólver à cintura e rebenque na mão, o coronel deu a ordem. “Esmaga as ovadas do malfeitor!”.
No primeiro baque surdo, Boni deu um berro, arregalou os olhos, respirou fundo, como a agarrar o ar que lhe escapava dos pulmões, e pediu clemência. “Não, Coronel! Eu lhe peço. Não me prive daquilo que recebi como graça divina! Posso lhe dar uma linhagem de machos como nenhum outro desta região seria capaz”. O coronel estancou no seu ímpeto sanguinário e olhou dentro dos olhos de Boni. Depois concluiu: “Faz sentido! Solta o homem que ele agora é parte da minha família”. E o levou para casa.
Boni não apenas cumpriu sua parte no trato direitinho, como foi além. Deu sete varões ao Coronel, um dos quais, o primogênito, entregou como afilhado da cunhada Emília, a filha caçula do sogro. Não demorou e a própria Emília apareceu prenhe do compadre, para espanto e indignação do coronel.
Chamado às falas, o coronel despejou a sua revolta em tom resignado. “Como me arrependo de não lhe ter decepado os colhões! Foi a maior besteira que fiz nesta vida. Você é a vergonha desta família. Onde já se viu deitar com a própria comadre! Não pode existir pecado maior. Tu és um homem perdido diante de Deus”. Boni ouviu contrito a ladainha do sogro e em seguida falou em pose de sábio. “Meu sogro não se avexe não que eu e Emília somos compadres só da cintura para cima. Do umbigo para baixo ela é mulher e das boas, que outra fêmea igual nunca tive”.
E assim, com Dalva e Emília se revezando nos serviços de cama e as demais servindo-lhe nos intervalos, Boni viveu quase 100 anos e, segundo ele próprio dizia, seguiu como ninguém o mandamento do Pai que exortava a crescer e multiplicar. Já no final da vida, abatido por doenças próprias da idade, a única coisa que nele permanecia ativa era o sexo, que fazia regularmente todos os dias. 
A velhice porém foi pouco a pouco minando suas forças. Até que caiu de cama e dela não mais se levantou. Já com a voz fraca, quando lhe perguntavam se queria alguma coisa, quem sabe um chá, uma colherzinha de leite, ele respondia irritado: “eu quero é mulher!”. Perdeu inteiramente a voz, e sempre que instado a se alimentar, fechava uma mão e com a palma da outra sobre ela batia três vezes, simbolizando a cópula. Morreu com o dedo indicador direito enfiado na mão esquerda.
Na hora de vesti-lo para a última morada, a viúva deu de cara com o pênis do marido em posição de sentido. Diante daquela cena imprópria, determinou que enfiassem o “sujeito” no traseiro do dono.
Ocorreu porém que lá pelas tantas da noite ela notou que uma lágrima solitária escorria do rosto do morto. Com a ponta do lenço tentou secá-la, mas a lágrima, teimosa, continuava a brotar, como se fora um olho dágua. Então, discreta, aproximou-se do finado e segredou-lhe ao ouvido. “Eu te falei que esse troço doía, mas tu achava que era frescura minha”.
(*) Nonato Reis é natural de Viana, Maranhão. É poeta e jornalista!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A CRÔNICA DO DIA




HOJE É DIA DE... 

 
Nonato Reis
ZÉ PERIGOSO E A CHICOTADA NO TRASEIRO

(*) Nonato Reis

Da perspectiva do homem, a mulher é o alvo preferencial ou mesmo exclusivo da vida. Buscar o convívio com ela, cortejá-la e amá-la constitui a razão da própria existência. Para o sexo oposto a mulher está no vértice de uma lei natural, a da atração dos corpos, e como se sabe, as leis naturais são imutáveis, posto que criadas por Deus. 
Desde pequeno aprendemos que as coisas divinas são imortais e eternas, ou seja: não têm começo nem fim. Assim, a partir da introdução de Adão no Paraíso, o homem, em que pese as controvérsias, nasceu para buscar a sua "costela subtraída” e com ela seguir até o infinito.
O diabo é quando de tanto gostar do "fruto proibido" isso acaba por se tornar uma obsessão. Foi o que aconteceu com Zé Perigoso, que eu conheci em um fórum eleitoral, tentando resolver uma pendência no meu título de eleitor.
O cartório, em razão da iminência do termino do prazo para transferências, estava apinhado de gente. Aqui e ali surgia uma discussão, por tentativa de furar a fila, o que obrigava o segurança do local a intervir, já com o estresse nas alturas.
De repente irrompeu uma briga feia dentro do salão e foi uma correria dos diabos, todo mundo tentando escapar para o meio da rua pela única porta aberta ou pulando as janelas. Quebraram-se mesas, cadeiras voavam de lado a outro que nem aviãozinho de papel. 
A muito custo, alcancei o lado de fora, descabelado, a camisa rasgada e o braço esquerdo sangrando. A briga, que havia começado dentro do cartório, avançou para o meio da rua, onde dois homens trocavam tapas e pontapés.
O segurança, depois de levar um soco perdido no nariz, tentando apartar os valentões, sacou um “38” enferrujado e apertou o gatilho duas vezes, a arma apontada para o alto. 
Por instantes atordoados com o estampido das balas, os lutadores se deram uma trégua, e "a turma do deixa disso" entrou em ação, dando fim à confusão, porém sem evitar a troca de ofensas e ameaças entre os dois. “Esse filho da puta mexeu com minha mulher”. “Mexi nada, ela que me deu mole”.
Os ânimos serenados, aproximei de Zé Perigoso e puxei. “Amigo, que furdunço foi esse, você buliu mesmo com a dama?”. Zé me explicou que estava quieto na fila, seu único intuito era corrigir imprecisões em seu documento eleitoral e voltar para São Luís, onde trabalhava como fotógrafo profissional em um jornal. 
De repente avistara aquele “rabo de saia” a cruzar o salão, indo e voltando. “Era uma sereia maravilhosa. Eu olhei nos olhos dela, ela olhou nos meus. Aí pensei comigo: morreu!”.
Zé só não sabia que a sereia já tinha sócio no patrimônio. Aproximou-se dela e, após os cumprimentos de praxe, partiu para o ataque, direto, objetivo, sem meias palavras. Já fungava em seu cangote, tentando morder-lhe as orelhas, quando o “dono do pedaço”, um motorista de ônibus, marrudo, surgiu do nada e acertou-lhe um tabefe.
“Zé, mas isso não se faz! Como é que você invade o domicílio do sujeito sem pedir licença?”. Zé deu uma risadinha e me confidenciou que a culpa era mesmo dele. Não sabia lidar com o sexo oposto. Ou melhor, não tinha controle sobre seus impulsos. “Mulher é o meu fraco. Se vejo uma se balançar na minha frente, já fico com vontade de agarrar”. Porém, como a atenuar suas faltas, explicou-me que nunca dava o primeiro passo. “Eu fico observando o jeito dela. Se vejo que me dá mole, aí, meu amigo, eu vou pra cima. Ninguém me segura”.
Por conta desse modo de agir desenfreado com as mulheres, já passara por poucas e boas. Uma vez, andando pelo interior, pedira hospedagem na casa de um quitandeiro, que de muito bom gosto dividira o seu quarto conjugal, para que ele pudesse descansar à noite, após um dia exaustivo. 
A casa era pequenininha, só havia uma saleta, um quarto e a cozinha. No primeiro cômodo, dormia o cunhado do quitandeiro. Na cozinha, já ocupada com um fogão a lenha e um armário velho, não cabia ninguém. O jeito foi armar uma rede para Zé ao lado da rede do proprietário da palhoça, embaixo da qual ficava a cama da mulher.
Lá pela madrugada o barraqueiro foi despertado com o ranger das grades da cama. Olhou para baixo e viu a bunda do hóspede subindo e descendo sobre o corpo da esposa. Possesso, pegou uma ripa e botou Zé para correr só de cuecas, debaixo de vara. De outra feita, engraçara-se pela filha de um vaqueiro, que morava com o pai no lugar chamado Taberneiro, próximo da Palmela. 
Era tempo de inverno, os campos submersos. Só podia chegar na casa de canoa. Durante uma “visita” à luz do dia, mentalizou os espaços da casa; viu que a menina dormia na sala com o pai, numa rede perto do corredor que dava acesso à cozinha. Esperou anoitecer. Combinara com a garota para que deixasse a porta apenas encostada. De quatro entrou na casa e caminhou pelo assoalho de gatinho. Por um descuido bateu na rede do velho, que ainda estava acordado.
Imaginando tratar-se do vira-latas que guarnecia a entrada da casa, o pai da garota pegou o chicote, que trazia consigo na rede, deu um berro “cachorro!” e açoitou o traseiro do agressor que, pego de surpreso e com a bunda latejando, berrou e começou a uivar que nem um cão sarnento, até se jogar na rede da menina e se proteger com ela.
O velho acendeu a luz e, chicote em punho, saiu à procura do cachorro pela casa, sem o encontrar. “Foi ele, eu o peguei pelo rabo”, dizia o velho, na caça ao invasor. Temendo ser descoberta, a filha tratou de encontrar uma saída. “Vai dormir, pai. Deixa o bichinho em paz, ele está aqui comigo, gemendo de dor”.
 (*) Nonato Reis é jornalista e natural de Ibacazinho, município de Viana-MA.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Viva a Baixada

*Por Natalino Salgado


Dr. Natalino Salgado
Na semana passada, fui alcançado por diversas mensagens de baixadeiros que se identificaram com o artigo que aqui publiquei, constatando que há naquela região uma terra santa. Fiz referência ao meu torrão natal, minha amada Cururupu; mas diversos leitores me disseram que a descrição que apresentei os fez recordarem de suas próprias cidades natais, dadas as semelhanças dos aspectos geográficos que irmanam cada uma das cidades da Baixada Maranhense.

Uma obra que também pode fazer surgir esse amálgama de sentimentos, por elencar uma série de escritos de elementos nostálgicos comuns, atende pelo nome de Ecos da Baixada – coletânea de crônicas sobre a Baixada Maranhense, e que se constitui numa daquelas iniciativas que a arte, na forma de literatura, pode se propor, quando tudo o mais, ao longo de anos, falhou por incontáveis razões. O eco é aquilo que reverbera, mesmo depois da fonte originária ter cessado. Ele ricocheteia e se espalha, repetindo a palavra várias vezes, para que seja ouvida e, quem sabe, desperte em seus ouvintes passivos, esquecidos e alheios, a atenção necessária.

A publicação é uma iniciativa do Fórum da Baixada Maranhense e reúne uma plêiade de baixadeiros escritores, amantes de sua terra que, a despeito da riqueza natural, da diversidade multifacetada de mar, terra, rios, florestas, lagos, flora e fauna, de ter uma riquíssima cultura – até um sotaque peculiar, um léxico de palavras únicas – tem amargado, ao longo de seus breves séculos de ocupação, o esquecimento e um desenvolvimento espasmódico que alcançam, só precariamente, sua gente lutadora.

Campos da Baixada
Ler o livro é fazer uma impressionante viagem por todos os rios e ter à mão uma ictiografia detalhada. Confesso que aprendi mais nomes de árvores que em todas as minhas leituras anteriores. O livro é feito por apaixonados que foram reunidos por iniciativa do advogado – devo acrescentar o epíteto “embaixador baixadeiro” – Flávio Braga, presidente do Fórum EM Defesa da Baixada Maranhense.

A propósito, a palavra baixadeiro é desconhecida pelos dicionários com o sentido carinhoso que aqui menciono, como uma designação, uma naturalidade. Mas encontrei a palavra associada a um tipo de cavalo rústico, que se desenvolveu naturalmente, e por alguma intervenção humana, justamente em nossa baixada, desde o Brasil Colônia. É um animal pequeno, resistente, totalmente aclimatado aos extremos de seca e cheia da região. É uma raça antiga e um patrimônio genético que honra a comparação com habitantes da região, no aspecto tenacidade e resistência às intempéries.

Na obra que mencionei – ainda inédita – há ao mesmo tempo um toque de tristeza, quando se lê, por exemplo, na crônica de Nonato Reis, um lamento pelo Rio Maracu que, como outros no Maranhão, e talvez em estado mais grave, morre à míngua ano a ano. Mas toda a hidrografia da Baixada está gravemente comprometida e as iniciativas até hoje são, na melhor das hipóteses, tímidas.

O Ecos da Baixada deve ser distribuído nas escolas, na esperança de que crianças e jovens sensibilizados, se tornem ainda agora aqueles que farão de suas jovens vidas ecoar o chamado, não para salvar a natureza manifesta na Baixada, mas para se harmonizarem com ela, como se seus rios e igarapés fossem as veias que irrigam suas vidas.

A pena destes escritores, que integram a obra, faz as vezes de gritos proféticos. Clamam pelos rios como os elementos fundamentais de todo um ecossistema único e que arqueja, como se fosse a materialização das palavras do apóstolo Paulo que, em sua Carta aos Romanos, diz: “Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto.” (Romanos 8:22).

Quem nasceu naquele lugar sabe do que falo. A baixada, a despeito de todos os maus-tratos a que foi submetida, vive e resiste. Viva a Baixada!

*Médico, doutor em Nefrologia, ex-reitor da UFMA, membro da AML, ANM, AMM, IHGMA e SOBRAMES.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Baixada Maranhense e o Instituto Histórico

Nonato Reis*
A Baixada Maranhense é uma região historicamente esquecida das instâncias de decisão. Hoje bem menos do que no passado, é verdade, porque agora existe a malha rodoviária que permite a integração física entre as cidades e os vilarejos com a capital e os demais centros urbanos do País. Antes tudo eram trevas. Ao descaso dos gestores públicos somava-se o isolamento geográfico. As ligações com São Luís só se davam por meio de lanchas e vapores, navegando rios e mares em viagens que duravam até oito dias.
Viramos algumas páginas desse livro sombrio, mas o cerne da questão permanece: a marginalização política -, como um garrote a condenar ao atraso aquela vasta região de rios, lagos, campos e florestas, repositório de uma história belíssima, até hoje contada apenas por esparsos capítulos, frutos da iniciativa isolada de alguns de seus filhos mais brilhantes.
Antes se dizia que a Baixada precisava eleger representantes nos parlamentos em São Luís e Brasília, para que assim pudesse ser inscrita no mapa das políticas públicas do Estado e da União. Nas últimas décadas elegeram-se dezenas de deputados estaduais e federais egressos da Baixada. Criou-se uma frente política na Assembleia Estadual em defesa da região. Tivemos até um Presidente da República, filho de Pinheiro ou São Bento (Sarney afirma ser de Pinheiro, mas sua biografia conta que ele nasceu num lugarejo pertencente a São Bento). E em que isso serviu para mudar o horizonte da Baixada?
De concreto, nada. Existe um projeto denominado “Diques da Baixada”, criado no âmbito do governo federal que, se executado tal como no papel, pode ser a redenção da região. Um dos maiores gargalos do desenvolvimento regional é o fenômeno da salinização, que significa o avanço das águas salgadas sobre os estoques de água doce, que no verão se reduzem drasticamente, permitindo a contaminação dos lagos, rios e lençóis freáticos, pela água que vem do Golfão Maranhense, o que gera um rastro de destruição sobre a fauna e a flora lacustres.
Há também, no âmbito do Estado, uma versão tupiniquim desse projeto, denominado “Diques de Produção”, que possui objetivos menos ousados, e compreende a construção de barragens entre tesos próximos um do outro, para controlar a entrada de água salgada nos rios e lagos. Some-se a isso a elaboração, pelo governo estadual, de projetos nas áreas de psicultura, pecuária, agrícola e até de beneficiamento de alguns produtos típicos da região.
De um modo geral, os diques são importantes porque tratam essa questão de forma científica, fazendo com que a água doce, por meio de um sistema de comportas, permaneça o ano todo em bom nível nos cursos naturais, em benefício das populações que residem às margens dos rios e dos lagos e vivem da pesca, da caça e da agricultura de subsistência. Em que pese os esforços políticos para alavancar o conjunto de ações previstas, o projeto ainda é visto com desconfiança.
E por que isso ocorre? Porque falta uma ação conjugada entre poder público e sociedade – sociedade aqui entendida em sua forma organizada. Não adianta criar bons projetos se não houver a força intermediadora dos organismos sociais, que têm o papel de ouvir a população, discutir com ela, encaminhar propostas e fazer pressão nas diversas instâncias de poder, para que sejam efetivadas. É assim que as coisas funcionam no regime democrático.
Muitos municípios da Baixada já dispõem de academias de letras, que vejo como fóruns importantes do conhecimento acadêmico. Mas até aqui elas funcionam naquele formato anacrônico de reuniões fechadas e improdutivas. É importante que as academias se reformulem na sua concepção original, e de organismo estático e ausente passem a atuar como uma força viva da sociedade, criando ideias, cobrando soluções, fazendo a interlocução com as prefeituras e os demais poderes.
Também há que se destacar a criação do Fórum em Defesa da Baixada, formado por luminares de diversas áreas de atuação, todos amantes da região e dispostos a criar mecanismos que ajudem a melhorar a vida das populações. Atualmente o Fórum se dedica a desenvolver o projeto de um livro de crônicas, com temáticas e personagens da Baixada.
A Baixada Maranhense já foi uma região importante nos seus primórdios, tendo sido alvo da ação de padres jesuítas e aventureiros espanhóis que para cá vieram – alguns antes mesmo do Descobrimento – atraídos pelos relatos da existência de minas de ouro ao longo da bacia do Turiaçu. Não por acaso a missão de Conceição do Maracu, que deu origem à cidade de Viana, instalou-se em terras do Ibacazinho, como estratégia para explorar o território sob influência do rio Turiaçu e granjear riquezas.
Assim vejo a Baixada sustentada em dois pilares fundamentais: um de natureza histórica, importantíssimo; e outro que aponta para o desenvolvimento de uma região, que por séculos ficou imersa no esquecimento. Como contribuição, proponho a criação de um Instituto Histórico e Geográfico da Baixada, com a missão de resgatar esse vasto patrimônio cultural e elaborar políticas que valorizem e estimulem ações voltadas para o contexto da Baixada Maranhense.
Um exemplo prático seria contatar autores e estudos sobre ícones e personagens da região, sistematizar esse conhecimento por meio de publicações, viabilizar a edição de livros, articular com as prefeituras a inclusão de disciplinas sobre história da Baixada nos conteúdos curriculares das escolas municipais. Por enquanto o IHGB é uma ideia embrionária, mas que pode criar formas e ajudar a resgatar esse rico patrimônio para as gerações futuras. Fecho com “Prelúdio”, a bela música de Raul Seixas. “Um sonho que se sonha só/é só um sonho só/ mas sonho que se sonha junto é realidade”.
*Jornalista, natural de Viana, na Baixada Maranhense.


domingo, 2 de julho de 2017

Brasil, um país perdido

COLUNA DO JERSAN
Por João Batista Azevedo (Interino)
Brasil, um país perdido
A cada acontecimento diário na política brasileira mais fica à mostra que o Brasil está um país acéfalo, perdido. Já não há mais possibilidade de um debate racional sobre a situação do país. Uns até acham que sim, outros acham que não. Não se entende mais nada. A decepção vem de todos os lados. Não bastasse a classe política, agora são os membros do STF, a mais alta corte de justiça do país, que nos deixa apreensivos com algumas decisões de alguns de seus ministros. Aliás, entre os próprios membros do STF há discordância quanto à postura dos políticos que enlodam a atual conjuntura política brasileira. Para uns poucos temos a melhor casta política, como provam as últimas decisões.
Cada grupo político vê os acontecimentos da maneira que lhe convém, e o debate vai para o brejo. Agora disputa-se qual é a maior quadrilha em ação nesse país abandonado por Deus, que, diziam, era brasileiro. Só que não. O PT e o PMDB são acusados de terem organizado quadrilhas para manipular o governo, e existem fatos que demonstram que aos dois cabe essa horrenda nomenclatura.
O sistema político brasileiro está falido, e a corrupção, a insegurança nas ruas, as políticas públicas ineficientes, o serviço público de qualidade precária e o baixo crescimento econômico são apenas algumas das consequências desse fenômeno. Não somente as investigações da Operação Lava Jato, mas também a situação caótica das penitenciárias, a violência do crime organizado e a falência financeira de estados e municípios colocaram definitivamente a olho nu o problema.
Um dos Procuradores da Força-tarefa da Lava-Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, resumiu o quão grave é o momento político brasileiro. “Pode ser que não queiramos acreditar nisso. É natural negarmos a gravidade de problemas que nos afetam, tentando medidas paliativas, na esperança de que, diminuindo a febre, possamos escapar da doença. Mas de nada adianta nos iludirmos, pois é essa doença, um sistema político disfuncional e corrompido, que subverte a democracia e o estado de direito. Se não nos mata, nos mantém tísicos, enfraquecidos como nação”.

O golpe contra Dilma foi um erro

É o que assegura o senador e ex-presidente do senado, Renan Calheiros. Depois de renunciar à liderança do PMDB na quarta-feira, chamando Temer de covarde e apontando a influência de Eduardo Cunha em seu governo, o senador Renan Calheiros reconheceu que o impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff foi um erro pelo qual o país está pagando caro. “– É claro que foi um erro. A ideia de que todos os problemas se resolveriam com o afastamento dela foi uma estratégia do Eduardo Cunha para governar sob as costas do Michel”.  Pelo sim, pelo não, o certo é que todos os problemas se agravaram e agora a crise política está chegando a uma situação-limite, está cobrando uma saída, seja com a antecipação de eleições, como defendeu o Fernando Henrique, seja com a adoção do parlamentarismo.

Os governos e suas propagandas

Sempre me questionei sobre as mídias dos governos, sobretudo as dos governos estaduais. Será se elas surtem o efeito que esperam os governantes? A população que a elas assistem, bem editadas, de fato dão crédito aquilo que veem? Tenho minhas dúvidas. Se para uns pode ser gratificante, para outros, é frustrante, sobretudo para aqueles que veem suas obras prometidas caírem no esquecimento. Este sentimento certamente é o que recai aos moradores do povoado de Itans, município de Matinha, que teve prometida a Estrada do Peixe, e até agora, só um enorme lamaçal separa o povoado da sede do município. Só pra lembrar, Itans é o maior polo produtor de peixes de criatórios do Estado.
Do mesmo modo frustrante, estão os moradores das cidades do litoral norte do Estado com a prometida e alardeada construção da ponte sobre o rio pericumã, ligando os municípios de Bequimão a Central do Maranhão e a todos os municípios do litoral norte, como Porto Rico, Mirinzal, Apicum-açu, Serrano, Cedral e outros. A população a ser beneficiada espera mais empenho na retomada destas obras por parte do governo Flávio Dino, e que tão logo elas posam integrar o “pool’ de obras concluídas a serem exibidas nas propagandas oficiais.

A MA-014

A população baixadeira espera ansiosamente que a recuperação da rodovia MA-014, que liga os municípios da Baixada Maranhense, de fato seja iniciada agora no mês de julho, como prometeu o secretário de Infraestrutura Clayton Noleto. As informações dão conta de que toda a rodovia que vai de Vitória do Mearim a Pinheiro precisa literalmente ser refeita, haja vista a intrafegabilidade. Não bastasse os reclames da população e de quem dessa estrada se utiliza, os políticos – alguns naturais de municípios da Baixada – podem comprovar a necessidade e urgência da recuperação dessa importante rodovia estadual.

De olho nos Deputado Federais e Senadores

O povo maranhense, não diferente de toda a população brasileira, assiste às peripécias dos seus deputados federais e senadores. Agora é a hora de mostrar que de fato representam o povo ou a uma elite empoderada. Nessa novela, cujos atores e coadjuvantes são os nossos políticos, a população assiste incrédula à postura cínica da maioria dos nossos deputados e senadores. A população manda avisá-los de que no próximo ano, tem-se a prestação de contas de suas ações de hoje. Nós, o povo, estamos de olhos atentos e vigilantes!

Recurso


Diante da decisão do juiz Ivis Monteiro da comarca de São João Batista, que cancelou o seletivo que a Prefeitura de São João Batista iria realizar para a contratação temporária de servidores, não caberia outra ação, por parte do Prefeito João Dominice senão entrar com recurso junto ao Tribunal de Justiça. A decisão do juiz é questionável, pois apenas para alguns cargos fora permitida a realização do seletivo, julgando assim indispensável. O que muitos se perguntam é: “e os vigias para as escolas, as zeladoras, as merendeiras, os auxiliares administrativos não são imprescindíveis para o funcionamento destes setores”? A população espera resposta para muitas desta indagações, como espera também que os doutos representantes do Ministério Público e do Juizado, possam pactuar com o poder executivo para uma plena governabilidade em São João Batista. Assim, todos ganharão com certeza e a cidade agradece. 

(Texto publicado na Edição de hoje (02.07.2017) do Jornal Pequeno, na Coluna do Jersan)