domingo, 10 de novembro de 2019

Mecinho comemora aniversário e reúne amigos


O ex-vereador Mecinho, recebeu na manhã da última sexta-feira (08/11), muitas felicitações dos amigos e familiares pela passagem do seu aniversário. 

Mecinho, que completou 47 anos de idade ofereceu um café da manhã em sua residência onde estiveram presentes autoridades eclesiásticas, vereadores, lideranças comunitárias, amigos e familiares. Na ocasião foi realizado um culto ecumênico.

Antes de saborear o delicioso café, o ex-vereador Mecinho, agradeceu a presença de todos que se fizeram presente no recinto para compartilhar com ele a felicidade de estar com seus amigos e a família na passagem de seu aniversário.

Após três mandatos de vereador, Mecinho disputou a eleição passada para o cargo de prefeito, obtendo a segunda colocação. Esse excelente resultado o credenciou para que se confirme a sua pré-candidatura novamente para as eleições de 2020.

Arregimentando forças, o pré-candidato Mecinho já desponta como líder nas pesquisas de intenções de votos. Mesmo ainda restando muito tempo para as eleições, seus apoiadores seguem confiantes numa vitória.

Veja mais fotos do evento:




domingo, 29 de setembro de 2019

“A FAZENDA BACAZINHO”: Nonato Reis lança em outubro o seu novo livro


“A Fazenda Bacazinho”, livro que assinala a estreia do jornalista e escritor Nonato Reis na crônica e no conto, é uma das atrações da Feira do Livro de São Luís deste ano, a XIII FeliS, que acontecerá no período de 11 a 20 de outubro, no Multicenter Sebrae. São 60 textos ambientados em uma velha fazenda do povoado de Ibacazinho, município de Viana, às margens do lendário rio Maracu.

O lançamento do livro está programado para o dia 19/10, às 19h30, no Café Literário da FeliS, no Multicenter Sebrae.

Afora o estilo leve e objetivo que caracteriza a literatura do autor – antes ele já havia publicado os romances “Lipe e Juliana” e “A Saga de Amaralinda” – uma das curiosidades deste novo livro é o local onde as histórias se passam: no entorno de uma fazenda que pertenceu à santa padroeira de Viana, Nossa Senhora da Conceição.

De acordo com o autor, a origem da fazenda remonta ao século XIX, e ninguém sabe ao certo quando o empreendimento teve início. “Conta a lenda que durante uma travessia do gado dos campos alagados para os tesos, os criadores teriam sido surpreendidos por um forte temporal, e um deles, temendo perder toda a criação e a própria vida, fizera uma promessa à santa, de dar a ela metade da sua criação, caso saíssem ilesos daquela tempestade”.

Feita a promessa, o temporal, como que por encanto, se dissipara e o sol voltara a brilhar sob céu claro. “O fazendeiro, porém, voltara atrás na promessa, ficando em dívida com a santa. Uma forte praga se abatera, então, sobre sua fazenda, matando toda forma de vida ali existente, inclusive, o dono da propriedade”.

Depois disso, temendo serem atingidos pela maldição, todos os anos, cada criador doava duas reses para a santa, nascendo daí um imenso patrimônio. Conforme Nonato Reis, no período áureo da fazenda, entre 1962 e 1978, a santa chegou a dispor de mais de 2.000 cabeças de gado, tornando-se uma das maiores fazendeiras da região.

O livro aborda os hábitos e costumes do Ibacazinho, um povoado surgido na esteira da catequese jesuítica. Os textos falam de lendas, mistérios e tradições do lugar, com destaque para aparição de espíritos e figuras alegóricas da cultura da Baixada. “A Fazenda Bacazinho” presta também homenagem a personagens que fizeram a história do povoado, no espaço temporal de 100 anos, a partir do final do século XIX.

(Do Blog de Waldemar Ter)

sábado, 7 de setembro de 2019

A propósito da música “Eu te amo, meu Brasil”


A música de autoria de Dom da dupla Dom e Ravel, a contrário de que muitos pensam não foi uma composição encomendada pelo regime militar, na pessoa do Presidente da República à época Emílio Garrastazu Médice.

Ainda que usada pelo governo em suas propagandas como forma de exaltar o civismo e o sentimento ufanista, a música fora composta e gravada em 1970 pela Banda “Os Incríveis” por conta do clima da Copa de 70, e que dada a sua execução e sucesso chegou a ser mais popular do que a música oficial da competição “Pra frente Brasil”, de Miguel Gustavo.

Na época do lançamento o governo fazia uma forte propaganda nacionalista, que ia muito além dos slogans “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A paixão e a expectativa pelo tricampeonato da Copa de 1970 eram usadas como forte apelo à aprovação do novo regime autoritário. Também acontecia uma guerra ideológica dentro da indústria fonográfica. A maioria dos artistas intelectualizados, como Chico BuarqueCaetano VelosoGilberto Gil e Milton Nascimento eram opositores ao militarismo, e escreviam letras politizadas como forma de protesto.

Foi dessa treta entre os artistas da música brasileira que se dividiram entre os que eram contra o regime militar e faziam sutis letras politizadas contra a ditadura militar, a exemplo da música de Sérgio Sampaio, “Eu quero é botar meu bloco na rua”, ou mesmo a música “Calice” composição de Chico Buarque e Gilberto Gil, além da lendária “Pra não dizer que não falei das flores” de Geraldo Vandré, e os que ficaram impassíveis a esta luta e que por isso foram chamados de “adesistas”, mesmo sem nenhuma relação direta com o governo dos militares.

Havia portanto um mal-estar entre aqueles que não se posicionavam contra o governo, que eram tidos como “alienados”, como alguns dos astros da Jovem Guarda. Na esteira dessas ditas “injustiças” muitos artistas tiveram suas carreiras sacrificadas, como foi o caso de Wilson Simonal, que teve sua vida artística literalmente arruinada.

Don, um dos compositores da música ao lado de seu irmão Ravel, afirmou que a letra só buscava exaltar as belezas naturais do Brasil e de seu povo e que visava contrapor o sentimento nativista e nacional ao consumismo de coisas e modismos norte-americanos. Apesar do grande sucesso entre o público em geral, os irmãos não agradavam a esquerda do país, de políticos a artistas.

Eustáquio e Eduardo Gomes de Farias, ou melhor, Dom e Ravel chegaram em São Paulo ainda crianças, nos anos 50, vindos da pequena cidade de Itaiçaba, no Ceará. Já no final da década seguinte, tentaram uma carreira no disco e lançaram o LP Terra Boa, que trouxe o primeiro grande sucesso deles, a música Você Também é Responsável”, que acabou sendo usada dois anos depois como uma espécie de hino ao recém criado Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização – órgão criado no governo militar para melhorar o nível de alfabetização no país que buscava ser uma nação desenvolvida.

O fato, no entanto, não foi visto com bons olhos pela comunidade artística, que acabou taxando os irmãos de puxas-saco do governo militar, o que se agravava ainda mais com as novas composições da dupla, a maioria enaltecendo o Brasil, coisa que agradava muito aos militares do governo. São dessa fase os sucessos Obrigado ao Homem do Campo”, “Só o Amor Constrói, e principalmente “Eu Te Amo, Meu Brasil, composta pela dupla e gravada pelo conjunto Os Incríveis.

Como se vê, ainda que o ufanismo brotasse das letras das músicas de Dom e Ravel, suas composições nada tinham de intencional ou conluio com o governo dos militares. Mesmo assim, a dupla sofreu das injúrias da elite cultural e amargou o ostracismo a partir de então até o fim de suas vidas, restando então, a errônea concepção de que suas composições são mensagens da ditadura militar . Nada a ver.

domingo, 4 de agosto de 2019

O Presidente sem decoro


 Por Flávio Braga *

As declarações polêmicas de Jair Bolsonaro têm provocado perplexidade em amplas camadas da sociedade e constrangimento em setores do próprio governo. A sua incontinência verbal revela seu despreparo para exercer a Presidência da República e seu desrespeito pela liturgia do cargo. À guisa de ilustração, colacionamos abaixo opiniões de alguns jornalistas e políticos acerca dos despautérios proferidos pelo presidente: 
A ausência de elaboração argumentativa e o uso de insultos são a praia de Bolsonaro. Nela, ele nada de braçada. É imbatível no quesito nível abaixo do aceitável. Já no campo das alegações e justificativas bem colocadas, questionamentos substantivos, premissas e conclusões lógicas, teses, antíteses e sínteses irrefutáveis, o atual presidente da República não sabe nem tem interesse em navegar (Dora Kramer).

Pela lógica da política tradicional, o capitão já deveria ter recolhido as armas. Ele tem optado pela estratégia oposta, na tentativa de agradar os seguidores mais fanáticos. O bolsonarista-raiz é fiel: está disposto a fechar os olhos para todas as trapalhadas do governo, desde que seu líder continue a esbravejar contra o comunismo (Bernardo Mello Franco).

Continuar com a política suicida de dividir os cidadãos, apresentando-se sempre como próximo de tudo o que cheira a violência, desafio e uso das armas, só pode fazer com que até as pessoas que um dia confiaram nele para conduzir o destino do país hoje se sintam arrependidas e escandalizadas (Juan Arias do El País).
Meu desagrado maior é em relação à postura do presidente, de continuar selecionando pautas que não são prioritárias, pautas ainda de campanha, de divisão da sociedade, com tanta coisa importante que precisa ser feita no país (João Amoedo).

O presidente passa de todos os limites institucionais, quebra o decoro, ofende quem depositou nele a esperança de mudança, brinca de ser presidente (Eliziane Gama).

Uma corrente de analistas políticos sustenta que os disparates do presidente são pronunciados de caso pensado, ou seja, há uma estratégia por trás do seu discurso agressivo para preservar o apoio do eleitorado conservador e manter a sua base social mobilizada, assim como faz Donald Trump.

Em todo caso, alguém precisa alertar Bolsonaro a respeito das disposições da Lei 1.079/1950, que tipifica os crimes de responsabilidade passíveis de impeachment do presidente da República. Diz o artigo 9º, VII: “Proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

* Pós-Graduado em Direito Eleitoral, Professor  e Analista Judiciário do TRE/MA.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Bolsonaro cancela reunião com ministro da França para cortar o cabelo


De “O Estadão

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), cancelou a reunião que teria com o ministro de Negócios Estrangeiros da França, Jean-Yves Le Drian, durante o dia de ontem (29). Segundo o chanceler brasileiro Ernesto Araújo, o cancelamento ocorreu por “uma questão de agenda do presidente”.
O porém é que logo na sequência do “ajuste de agenda”, o presidente fez uma transmissão ao vivo no Facebook cortando o cabelo e reforçando os ataques contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.
A reunião teria como um dos temas o meio ambiente. Mais cedo, Bolsonaro havia afirmado que o ministro francês não iria querer “falar grosso comigo, ele vai ter que entender que mudou o governo do Brasil”, afirmou.
“Aquela subserviência que tínhamos no passado de outros chefes de Estado para com o primeiro mundo não existe mais”, afirmou Bolsonaro.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

LONGE DOS OLHOS, PERTO DO CORAÇÃO...


Hoje faz 61 anos que o então distrito de São João, pertencente ao Município de São Vicente Férrer, que muito antes fizera parte do Município de São Bento dos Perizes, emancipou-se politicamente. Antes experimentara, ainda que por pouco tempo a primazia de ser autônomo. Mas somente em 14 de Junho de 1958, tornou-se em definitivo município.
São João Batista tem uma beleza ímpar. Belos campos, lindas enseadas! Mas a sua particularidade maior está no caráter de seu povo.
Aí reside a magia e o encanto de ser uma terra tão buscada, desejada, embora tão impiedosamente explorada. O jeito pacífico e ordeiro de nosso povo corrobora com tantas aventuras. Mas é preciso amar a cidade! É preciso amar o seu povo! É preciso amar as nossas tradições! E mais do que isso, é preciso respeitar a cidade e a sua gente!
Hoje, quisera eu estar me deleitando dessa festa junto com meus amigos, entretanto, os deveres convencionais e a responsabilidade adquirida nos ensinamentos de casa e de minha gente, me faz estar ausente desse solo abençoado.
Posso não tê-la agora, no limite dos olhos, mas estás aqui dentro do meu coração. Me congratulo com os milhares de conterrâneos que aí, ou além mares, te saúdam neste dia!
PARABÉNS SÃO JOÃO BATISTA, MINHA TERRA QUERIDA!!!!!

                                                                              João Batista Azevedo

Mensagem de Mecinho à cidade de São João Batista


Neste dia 14 de junho, a nossa cidade   está completando 61 anos de emancipação política e nada mais justo que parabenizar o povo joanino, pessoas de bem, honesta, hospitaleira, trabalhadora, que no seu cotidiano labuta na construção do desenvolvimento do nosso município.

Desejo que cada munícipe seja uma sustentação na constante construção de uma São João Batista melhor, que através da credibilidade, respeito e esperança ajudem a preparar pequenos cidadãos em grandes cidadãos joaninos. Neste sentido semeamos ações e colheremos conquistas, buscando no presente o futuro para que tais conquistas sejam reais, demonstrando que somos nós quem fazemos o amanhã e que nossa perseverança é bússola que guia o caminho rumo a uma São João mais justa e cidadã. É com orgulho de ser joanino, de pertencer a esta cidade, que deixo minha mensagem de esperança e agradecimento a toda essa gente que trabalha para que seus filhos sonhem com dias melhores.

 Reafirmo o nosso compromisso em continuar sempre trabalhando em benefício de todos e do crescimento dessa cidade, defendendo e lutando pelos interesses da população.  Unidos em um propósito, o resultado não será diferente, São João Batista vencerá!
Feliz aniversário minha querida cidade!

                                   Um grande abraço a todos!

                                                           Mecinho

Homenagem de Luiz Everton a São joão Batista


Aos meus diletos conterrâneos,


Neste dia 14 de Junho, a nossa cidade completa 61 anos, e hoje, nada mais justo que parabenizar o povo Joanino, gente de bem, guerreira, honesta e batalhadora que, com seu trabalho diário, constrói o desenvolvimento do município e dentro das suas possibilidades não mede esforços na busca do crescimento e de melhores dias para esta cidade.

Desejo que cada munícipe seja um ponto de apoio na constante construção de uma São João Batista melhor, que através de valores sólidos ajudem a preparar as crianças e jovens para este processo contínuo de transformação que o nosso município tanto precisa. É necessário semear ações e colher conquistas, buscando no presente o futuro para que as conquistas da comunidade sejam sempre crescentes, demonstrando que somos nós quem fazemos o amanhã e que nossa perseverança é a luz que ilumina o caminho rumo a uma São João Batista mais justa e cidadã.

Parabéns a todos que diariamente cumprem sua missão, contribuindo assim com o desenvolvimento do município; buscando sempre novos projetos e aceitando o desafio de fazer mais e melhor; não perdendo de vista os anseios da comunidade, mostrando assim que não existem fronteiras ou limites para alcançarmos nossos objetivos; existem sim barreiras e desafios que serão transpostas sempre que for da vontade daqueles que governam e principalmente, se for fruto do anseio do nosso povo.

É com orgulho de ser Joanino, de pertencer a esta cidade, que deixo minha mensagem de esperança e agradecimento a toda esta gente que trabalha para que seus filhos possam sonhar com um futuro melhor. Tenho muito respeito e carinho pelo povo de meu município, homens e mulheres que com suas mãos sabem valorizar o fruto da terra… Faço questão de dizer que o nosso compromisso continua, sempre trabalhando em benefício da coletividade e do desenvolvimento de um São João Batista próspero e pujante.

“Uma cidade é sempre mais importante do que quem a governa. Uma cidade é sempre maior do que projetos pessoais e políticos de qualquer um”.

Feliz aniversário, minha querida cidade.


                                                             Luiz Everton


quinta-feira, 13 de junho de 2019

São João Batista e sua herança indígena


Por João Damasceno Júnior (*)

João Damasceno Júnior
Escrevo este modesto artigo na intenção de render homenagem à cidade de São João Batista pela passagem dos seus 61 anos de emancipação político-administrativa. E o faço a partir de uma perspectiva de pesquisador sobre a etnologia indígena e com o compromisso de contribuir minimamente, em um determinado aspecto, com a história da nossa querida cidade.

Antes de receber o nome de batismo do santo do carneirinho, o distrito de São João era conhecido pelo nome Ibipeaura, cujo toponômio é procedente da língua tupi guarani que provavelmente seria grafada Ibiperewá (ibi = terra, chão + perewá = ferida), literalmente: terra ferida. Esse nome indígena nos remete a diversas reflexões quanto às nossas origens advindas dos primeiros habitantes do Brasil. Fato que, infelizmente, foi sendo apagado da nossa história e memória.

Essa ocultação e invisibilidade da nossa origem indígena foi, na verdade, algo arquitetado e executado em todo o Brasil, desde o período colonial, até o atual sistema republicano. Pois, para afirmar-se enquanto nação, a matriz indígena não serviria como referência por estar associada a algo “atrasado”, ao “não civilizado”, ideias estas baseadas numa visão etnocêntrica e preconceituosa a respeito das culturas diferentes dos colonizadores europeus.

Deixando, por enquanto, de lado esse debate, voltemos ao significado do primeiro nome de nossa cidade, enquanto ainda era um território pertencente ao município de São Vicente de Férrer (até 1958). Consultando diversos linguistas e dicionários, chego à conclusão que esse nome tupi, Ibiperewá, tem a ver com o fato de que no período da estiagem, os nossos campos se tornam áridos ao ponto de surgirem rachaduras no solo, os torrões. Dando a impressão de estarmos, literalmente, pisando em um chão ou uma terra ferida.

Muito embora esse nome não tenha prosperado, conforme atesta o ilustre conterrâneo Luiz Figueiredo, em seu livro São João Batista: suas lutas conquistas e vitórias (2010), o nosso município possui uma forte influência cultural indígena, aliás, como toda a região da baixada maranhense.

A presença dessa matriz étnica manifesta-se nos hábitos cotidianos dos habitantes dessa região, tais como: dormir em redes; conversar de cócoras; o banho frequente; a roça de coivara; a cultura da mandioca; a crença em entidades sobrenaturais (currupira, curacanga, mãe d’água); as diversas armadilhas e técnicas de pesca, somente para citar algumas dessas influências. Sobre estas especificidades culturais do baixadeiro, retomarei a abordagem em outro momento.

São João Batista possui ainda diversos povoados que confirmam, através de seus nomes, a origem dessa matriz étnica e a manutenção desses nomes deve servir de orgulho a todos nós. Pois, preservá-los, significa não apagar da nossa memória a herança ancestral de povos que tanto contribuíram e contribuem para a formação da cultura brasileira. Somente a título de curiosidade e informação, pesquisei alguns nomes dessas comunidades e seus significados:
Capim Açu - capim  grande.
Coroatá - Um tipo de planta.
Buraçanga é uma palavra tupi guarani que significa: porrete, cacete, bengala.
Iguaratuba (Ilha de) - local onde há abundância de guará ou garças.
Jabutituba - local onde há abundância de jabuti.
Jurupari – ser pertencente à mitologia e cosmovisão indígena.
Janduaba - Nome de uma espécie de arara.
Manival - Nome comum da mandioca. Rama da mandioca ou parte da rama destinada ao plantio.
Pirapendiba – local onde há abundância de peixes.
Quiriri - Silencioso; calado.
Sarnambi - tipo de molusco.
Tabaréu - morador da aldeia.
Tauá - Argila amarela empregada para colorir a louça de barro.
Urucu - planta que se faz um pó vermelho usado como corante.
Ubá – canoa feita de um tronco de árvore.

Concluo informando que este breve levantamento foi feito a partir de uma pesquisa bibliográfica. No entanto, acredito que a pesquisa in loco, nas conversas com moradores mais antigos, revelarão diferentes significados, cujo exercício seria instigante para ser realizado por estudantes dessas localidades.

*João Damasceno Figueiredo Jr. -  Antropólogo, natural de São João Batista; Graduado em Ciências Sociais (UFMA) e Mestre em Cartografia Social e Política da Amazônia (UEMA); Coordenador do Setor de Etnologia do Centro de Pesquisa de Arqueologia do Maranhão.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

No mato sem Cachorro


Por José Sarney

Nos ditados populares, nosso povo cunhou uma expressão para o momento em que estamos numa situação difícil: no “mato sem cachorro”. Quando vejo as dificuldades que estão sendo atravessadas pelo Presidente Bolsonaro, acho que o Brasil está assim.

Estamos enfrentando duas crises: uma, interna, da falta de recursos, recessão, no trincar da estrutura dos três poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário; a outra, de natureza mais grave, porque estrutural, de mudança da humanidade, que está passando da sociedade industrial para a sociedade digital e das comunicações.

Surgem novos conceitos sobre valores secularmente sedimentados e novas palavras para defini-los. A mentira é pós-verdade, fake news; novas definições surgem: modernidade, sociedade líquida (as mudanças são de velocidades imperceptíveis), a morte da verdade e da democracia representativa, a interlocução, na sociedade democrática, das redes sociais, enfim, um mundo transformado e não em transformação.

Na conjuntura, nosso País, saindo do sonho para o feijão, está com 58 milhões de desempregados, entre os que perderam as carteiras assinadas, os desocupados, os que nunca procuraram empregos e os biscateiros.
Essa é a maior tragédia.

Sem emprego não tem contribuição previdenciária, não tem consumo, não tem trabalho e, pior, não tem desenvolvimento e caímos na recessão. Esperávamos que com o novo governo as expectativas melhorassem, os investimentos chegassem, o Brasil crescesse.

Os otimistas calcularam um modesto crescimento de 3% neste ano. Os economistas o abaixaram, pouco a pouco, e já está em 1,3%. Nosso Maranhão, também atingido pela crise nacional, ano passado já cresceu como rabo de cavalo, para baixo, menos -5,6% (o último ano de crescimento, 2014, foi mais 3,9%). Atualmente o nosso desemprego está mais alto, e apenas pessoas em desalento — que desistiram de procurar trabalho — já são 560 mil, segundo o IBGE.

Enquanto esse tsunami derruba tudo, o governo põe todas as suas fichas na aprovação da Reforma da Previdência, necessária, pois sem ela em 10 anos não teríamos dinheiro para sustentar os aposentados e nem como pagá-los. Eu acho que é uma pós-verdade, para usar uma linguagem atual. No meu governo a Previdência teve superávit em quase todos os anos. Por quê? Porque o Brasil crescia a 5% ao ano, e o desemprego era em média 3,86%. E empregados contribuem e dão recursos à Previdência. Assim, nosso maior problema é crescer, desenvolver. É a experiência do “saber feito”, para citar Camões. Até hoje não se repetiram os números de crescimento do meu mandato, PIB de 119,20%, e renda per capita de 99,11%. Quem quiser conferir vá na internet e veja os sites da Fundação Getúlio Vargas e do Banco Central.

E tudo mais está à espera da Reforma da Previdência, os investimentos estatais pararam: saúde, educação, energia e transportes intermodais. A Federação está desintegrada. Os Estados, falidos, uns mais, outros menos. Os políticos, no paredão, e o Bolsonaro debaixo de uma fuzilaria sem trégua. Numa síntese disso tudo está o Brasil. Ele é que apanha mais, aqui e lá fora.

Mas eu sou otimista e, quando presidente, afirmei quando veio o vendaval: o Brasil é maior do que qualquer problema, maior do que o famoso “abismo”. Nossa força, nossa riqueza, nosso povo vai superar tudo, sairemos do “mato sem cachorro” e voaremos em “céu de brigadeiro”.