segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O pedido de “socorro” da Baixada Maranhense

Por Flávio Braga


Membros do Fórum constatando a estiagem nos campos da Baixada
Senhor governador, em nome do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, agradeço publicamente o conjunto de obras que a gestão de vossa excelência já executou ou autorizou em nossa microrregião, a saber: ponte Bequimão-Central; conclusão do hospital regional de Pinheiro; anúncio dos Núcleos de Educação Integral em Pinheiro, Viana e Serrano; pavimentação da Estrada do Peixe e fábrica de gelo em Itans (Matinha); pavimentação da estrada de Pedro do Rosário-Cocalinho (Zé Doca); realização da primeira Agritec em São Bento; anúncio da construção do campus da UEMA em São Bento; anúncio da construção de três IEMAS (Santa Helena, São Vicente Férrer e Vitória do Mearim); programa CNH Rural e anúncio da construção do hospital regional de Viana.

Todavia, senhor governador, a Baixada Maranhense enfrenta a pior estiagem dos últimos 50 anos. A escassez de água já se tornou uma calamidade pública anual, visto que submete as comunidades rurais às mesmas privações e ao mesmo suplício em todo o período crítico do verão maranhense. O que mais nos angustia é que se trata de uma tragédia previsível e anunciada, mas incapaz de sensibilizar as autoridades que tem o poder de minimizar tamanho flagelo.

Provoca indignação lembrar que entre os meses de abril e agosto de cada ano a Baixada fica coberta por um verdadeiro mar de água doce. Entretanto, na época do abaixamento (a partir do mês de julho), essa fartura de água escoa para o mar e os campos da Baixada se transformam numa paisagem árida, imprópria para qualquer atividade produtiva, como conseqüência direta da omissão, descaso e negligência do Poder Público.

Governador, sugiro que vossa excelência embarque em um helicóptero e pouse no meio dos campos de Viana, Anajatuba, São João Batista ou qualquer outro município da Baixada para constatar presencialmente o sofrimento, a aflição e a dor que a falta de água provoca nas comunidades baixadeiras. Temos certeza que, após essa verificação in loco, a sua compaixão e sensibilidade de homem público determinará as medidas necessárias para reverter esse quadro de penúria e indigência absolutas.

Nessa perspectiva, há uma circunstância particular que diferencia muito bem a Baixada das outras regiões pobres do Maranhão: embora o seu povo seja bastante carente, as soluções para melhorar as suas condições de vida são baratas, simples e de fácil resolutividade. Só depende da vontade política de nossos governantes.
Diante desse contexto, duas obras se tornaram de necessidade imperiosa para amenizar o tormento infligido pela perversidade da seca: a execução do projeto Diques da Baixada e a construção de pequenas barragens, principalmente a Barragem do Defunto (beneficiando São Bento, Bacurituba, Palmeirândia, Peri-Mirim e Bequimão) e a Barragem do Félix (beneficiando Bequimão e Peri-Mirim).

A título de informação mais precisa, a foto que ilustra a postagem é do Povoado de Beira da Baixa, em São João Batista, uma região da área dos campos, que ao lado de Carnaubal, Manguari, Coroatá, Teso da Baixa, Ervanço e Pirabendiba, são habitadas por pequenos criadores e pescadores que vivem de perto o flagelo da seca e a ameaça da invasão de água salgada, uma vez que estas localidade ficam próximas às áreas de mangues e igarapés.

(Com inclusão de Texto de João Batista Azevedo)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Campo de Perizes ou de Peris? Qual o correto?

Por Antonio Noberto(*)

Quando se digita no Google imagem as palavras “Campo de Perizes” o que se vê são inúmeras fotos de engarrafamentos e acidentes de trânsito. Carros completamente destruídos, pessoas mortas e feridas, polícia, bombeiro e coisas do gênero. São problemas provocados por “erros” de construção cometidos em outros tempos.

A rodovia foi feita colada ao trilho da antiga Rede Ferroviária Federal S.A – REFFSA, o que se tornou uma anomalia na via, sem acostamento no sentido crescente. E para o (des)serviço ficar completo, com os dois lados prejudicados, foi colocado um outro problema, a tubulação do sistema Italuís na outra margem. Tudo isso aliado à falta de duplicação (que só agora está acontecendo) tem-se o cenário perfeito para algumas das tragédias verificadas no lugar. Mas a primeira vítima a agonizar no Campo é o vernáculo, pois o nome correto do lugar não é Campo de Perizes, como comumente citado, inclusive pela mídia.

A Expressão carece de melhor atenção, de um revisionamento.

O Campo faz parte da Baixada maranhense, formada por grandes planícies baixas, alagadas no primeiro semestre do ano, o que resulta em uma espécie de pântano setentrional do Brasil, refúgio de diversos animais e aves migratórias, que aqui descansam, alimentam-se e reproduzem-se.

A Baixada é formada por duas dezenas de municípios e possui quase vinte mil quilômetros quadrados, que reúnem um dos mais belos conjuntos de lagos e lagoas naturais do país. Lago Açu e o Lago de Viana se destacam na produção regional de pescado, de onde são retiradas anualmente muitas toneladas de diversos peixes.

Além do manguezal, existe uma vegetação típica nos campos alagados, um capim alto ou junco próprio de terreno pantanoso, o Peri. Daí o termo que designa o famoso Campo que margeia os dezenove quilômetros da BR 135 na circunscrição do município de Bacabeira/MA. Peri é o substantivo primitivo de onde deriva a discrepância Perizes.

A origem do termo equivocado é desconhecida. Muito provavelmente foi extraída de outro erro: Periz, com “z” no final. Se o termo inicial é Peri, então, segundo a gramática brasileira, forma-se o plural acrescentando-se “s” (e não “z”), resultando, então, o termo Peris. Estaria justificada, assim, a pronúncia Campo de Peris, expressão já usada por muitos. Resolvido o problema de número, resta ainda observar um detalhe: o termo é de origem tupi e deve ser grafado com dois “i”, resultando em piri, que deu nome a lugares como Piripiri, no Piauí, Peri Mirim (que quer dizer capim ou junco pequeno) e Peritoró, no Maranhão. A forma mais correta, portanto, deveria ser Campo de Piris.

Pronunciar e escrever Campo de Peris já seria um bom começo. O que não dá é para continuar a agressão à gramática com a utilização do termo Perizes, pois muita gente o faz pensando se tratar de alguma ave, como perdiz. Pronunciando o termo correto, Piris, ou sua variante aportuguesada (digamos) aceitável, Peris, estaremos prezando pela língua e cultivando uma das mais ricas línguas da América, o tupi-guarani.
Continuar pronunciando e escrevendo Campo de Perizes é negar que em São Luís se fala ou se falou o melhor português do Brasil ou que algum dia existiu uma Atenas nestas plagas de escritores e poetas.

Se no próximo ano vamos melhorar a fluidez do trânsito no Campo a partir da duplicação da BR 135, então, nada melhor que nos anteciparmos com a correta escrita e pronúncia do termo.

Salve o vernáculo, viva o tupi e o Campo de Piris ou de Peris.

(*) Turismólogo, escritor, sócio-efetivo do IHGM, membro fundador da Academia Ludovicense de Letras.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

As mancadas do governo Flávio Dino

Por Roberth Lobato

O governo Flávio vem cometendo sucessivos equívocos na condução das agendas oficiais que ocorrem nos municípios.

O principal deles é o de não dar o tratamento republicano aos eventos que, a rigor, não têm cor partidária, lado político ou pigmentação ideológica, uma vez que se tratam de ações de governo e não de partido ou grupo político. Não são como os “Diálogos pelo Maranhão” dos tempos de campanha, lembram?

No exato momento que escrevo este post, o governador Flávio Dino e sua comitiva estão na cidade de Pinheiro inaugurando o Hospital Macrorregional “Governador Jackson Lago”, unidade médica de média e alta complexidade, mais uma conquista do povo baixadeiro.

A obra foi iniciada ainda no governo Roseana, mas, para variar, ficou em banho-maria por alguns anos e agora Flávio Dino inaugura e capitaliza os dividendos políticos para si, o que é natural.

Contudo, a reclamação está sendo geral quanto à deselegância do cerimonial do Palácio dos Leões em não ter convidado o prefeito da cidade Filuca Mendes (PMDB), o vice-prefeito César Soares (PT) e muito menos o deputado federal Victor Mendes (PV). É que a “etiqueta oficial” achou inteligente convidar somente os aliados políticos do grupo do governador.

Veja o que disse ao Blog um importante ator político, ocupante de cargo público e aliado do governador, sobre o comportamento do cerimonial do Governo do Estado:

 – No interior é muito importante o tratamento republicano da classe política, o próprio povo manifesta contentamento com isso, não agir assim é um erro e pega muito mal para o Flavio. Não é de agora que o cerimonial tem tratado mal a classe política independente ou não de ser aliada do governador, pois algumas cidades os próprios aliados têm sido tratados com indiferença. A impressão é de que ainda estão agindo como torcida em época de campanha, coisa muito ruim para o governador Flávio Dino.

Precisa escrever mais alguma coisa?


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Amarildo se defende de acusações do Ministério Público

O titular deste blog (Folha de São João Batista) procurou o Prefeito Amarildo pra falar sobre ação do Ministério Público em seu desfavor, onde na peça processual ela pede afastamento do mesmo em caráter liminar por ato de improbidade administrativa, num processo licitatório acontecido no início do seu mandato, mais precisamente em março de 2013. Segundo interpretação do MP, considerou Amarildo Pinheiro e seu secretário comprometidos com os atos já elencados nos autos do processo.
O prefeito a princípio se mostrou surpreso pela iniciativa do Ministério Público, haja vista ser um processo que se arrastava há dois anos e quatro meses praticamente e em nada de grave achava ter feito pra tamanha virulência no despacho, pedindo seu afastamento. Em momento algum, diz o prefeito, criou dificuldades pro MP investigar, muito pelo contrário sempre lhe forneceu todos os documentos disponíveis a promotora conforme solicitava e solicita. E mais, em nenhum momento o acusador da demanda, direciona diretamente sua ação pra cima do prefeito o incriminando e sim seu auxiliar que teria supostamente precipitado de forma individual seus atos como secretario sem consentimento do gestor, como afirma a nota enviada ao blog.
Segundo este, acha que isso vem de encontro ao momento político que se aproxima onde “nós fomos aclamado por uma base de nove vereadores e dezenas de pré-candidatos a vereador a concorrer numa nova eleição neste município, e por conta disso talvez esta promotoria teria sido inquietada pela oposição que entrou em desespero por isso e por fim poderia ter contribuído pra que o MP efetivamente fosse tão somente imperdoável em suas alegações. Porém estamos à disposição do juízo p prestar devidos esclarecimentos e continuar tocando nossa gestão sem criar óbice as investigações e manter a cidade em paz e concluindo nossas obras e compromissos constitucionais dentro das inquietações desta briosa sociedade”, disse.

Segundo o prefeito, está sendo vítima de perseguição pela oposição ou ‘fogo amigo’, e isso faz parte do processo pré-eleitoral e esta ação temos conhecimentos de onde vem sendo estimulada. “Estamos atentos e em tempo certo o povo saberá por não coadunar com estes procedimentos arbitrário de outrem e por tal tomaremos devidas precauções. E estamos à disposição de MP e do Juízo pra devidas explicações e defesa”, terminou Amarildo Pinheiro.
Do blog Folha de São João Batista

sábado, 22 de agosto de 2015

Em Brasília, Prefeito Amarildo garantiu mais obras para São João Batista


Prefeito Amarildo no FNDE
O prefeito de São João Batista esteve esta semana em Brasília e garantiu diversas obras e projetos para o município. Amarildo Pinheiro esteve visitando ministérios e autarquias do Governo Federal ao lado do primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão. O gestor visitou órgãos como Codevasf e FNDE e o Ministério da Integração Nacional, sempre acompanhado do deputado.
A primeira visita foi ao gabinete do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Antônio Idilvan. Os maranhenses solicitaram a liberação de verbas para a conclusão de obras para a educação que estão em andamento no município de São João Batista e entre os pedidos estavam a finalização de uma creche do Programa de Aceleração do crescimento II, o PAC II, com duas quadras poliesportivas, duas escolas, e compra de ônibus com ar condicionado e ventiladores para as escolas. Como resposta, que satisfez o prefeito e o deputado, eles ouviram do presidente que prorrogaria a liberação dos recursos dos convênios com a prefeitura e garantiu os repasses para a conclusão das quadras, de escolas e a creche do Paulo VI, além de mais dois ônibus e mobílias para escolas.
Na Codevasf
O vice-presidente da Câmara dos Deputados Waldir Maranhão e o prefeito também se reuniram com o presidente da Codevasf, Felipe Mendes, nesta quinta-feira em Brasília. Eles acompanharam o processo de liberação de emenda, de autoria do deputado, para convênios para a construção de barragens e também processos de perfuração de poços artesianos com precisão para mais de 50 municípios, entre eles o nosso. Os contratos para instalação de abastecimento de água por poços artesianos em forma de concorrência foram firmados para construção de 100 poços em 2013, que devem abastecer 38 municípios. Estas obras estão em execução pela Codevasf. Já as perfurações em regime diferenciado de contratação são para 600 poços que estão em execução. Já para o município de São João Batista, segundo o prefeito Amarildo, Felipe Mendes encaminhou os pedidos, e as perfurações começam em setembro.
Ainda com a Codevasf, o prefeito garantiu o início imediato de perfurações de 04 poços artesianos, que começarão a ser perfurados já no próximo mês. O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi reiterou ao vice-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão e ao prefeito de São João Batista – MA, Amarildo Pinheiro, a disposição do governo federal em dar solução para a conclusão dos poços artesianos e barragens Maranhenses. Waldir Maranhão e Amarildo pinheiro, solicitaram atenção especial ao povo maranhense que sofre com a falta de água potável. Eles encaminharam os pedidos para a liberação da execução de emenda, de autoria do deputado, destinada aos convênios para a construção de barragens e também processos de perfuração de poços artesianos com precisão para diversos municípios.

Deputado Waldir, o Ministro da Integração Nacional e o Prefeito Amarildo
Para Waldir Maranhão, a receptividade do ministro Occhi indica que as demandas levadas ao ministério serão solucionadas em breve espaço de tempo. “O ministro está sensibilizado com a necessidade básica da população de ter abastecimento de água de boa qualidade e isso vai resultar no fim do sofrimento nesses municípios,” afirmou Waldir Maranhão. Para o prefeito Amarildo, o empenho de Waldir Maranhão demonstra compromisso com a sociedade maranhense. “Pude vivenciar nesses dias em Brasília a busca incessante do deputado Waldir Maranhão por melhorias para, não só o nosso município, mas para todo o estado. Volto satisfeito com o trabalho que fizemos e esperançoso em bons resultados,” disse o prefeito de São João Batista que garantiu a construção da barragem que liga a barreira ‘Maria da Luz’ a estrada do povoado Raposa.
Do Blog Folha de São João Batista


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

OS DIQUES DA BAIXADA: ATÉ QUANDO?

Por Luiz Figueiredo


A Baixada Ocidental Maranhense é uma das regiões mais próximas da capital e uma das mais belas do Estado, constituída por 21 municípios, com potencial hídrico extraordinário, onde reside uma a biodiversidade muito diversificada, comparável somente ao Pantanal Mato-grossense. A sua importância econômica sempre foi destacada ao longo dos séculos XlX e XX prosseguindo pelo século atual, sempre foi considerada o celeiro da capital São Luís para onde eram encaminhados e comercializados os principais produtos da região, tais como as carnes bovinas, suínas e caprinas, caças, aves, frutas e cereais, tudo de primeira qualidade, transportados em barcos à velas e pequenas lanchas, através dos Portos de Alcântara, São Bento, Raposa, Cajapió, Bacurituba, Gabarras, Guimarães, Cururupu e outros.
A Baixada Maranhense sofreu um terrível processo de degradação agravado pelo descaso de sucessivos governos estaduais e municipais que não deram a real importância para esse quadro de abandono e sofrimento do nosso povo. A situação tem se agravado a cada ano com a perda incalculável do volume de água doce drenada para o mar, pelo aumento do número de canais e igarapés cada vez mais profundos, fazendo com que rapidamente os campos verdejantes, transformem-se em áreas secas e improdutivas. Em 1986 quando ocupava a presidência da República o maranhense José Sarney, lideranças da Baixada juntamente com deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores, por mais de uma vez, reivindicaram do presidente uma solução para a contenção das águas dos campos naturais, fonte de riqueza, renda e alimentação para aquela população carente.
Conhecedor da nossa realidade, pinheirense que é, e sensível aos apelos das lideranças, determinou que fosse feito um estudo seguido de projeto executivo, encargo que ficou sobre a responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca – DENOCS. Projetos prontos e aprovados logo foi dada ordem de serviço, tendo início pela construção da Barragem de Pericumã, obra majestosa e importante, cuja inauguração ocorreu com muita festa, e com a presença do Presidente José Sarney, prefeitos da região, deputados e muita participação popular. Lamentavelmente ficou por aí, e aquela importante realização que tantos benefícios poderia estar trazendo até hoje foi abandonada pelo poder público, deteriorando-se pela ação do tempo sem qualquer manutenção.
De lá até hoje foram-se quase trinta anos, e a situação da Baixada se agravando a cada período de estiagem, desertificando os campos, diminuindo o pescado e prejudicando os criadores e pescadores e porque não dizer todo o povo da região. Passaram-se todos esses anos e nenhuma voz mais se ouviu em defesa das barragens da Baixada. Eu que acompanhei toda essa luta desde Brasília até a inauguração no município de Pinheiro, e com conhecimento de causa, pois fui prefeito de São João Batista e enfrentei esse grave problema construindo pequenas barragens de contenção para barrar a água salgada e não deixar drenar a água dos campos junto com uma incalculável quantidade de peixes que descem para o mar, tudo com muita dificuldade pois essas barragens eram feitas pelo braço do bravo trabalhador, o homem forte da nossa região.
Diante do exposto, resolvi em 2005 tomar a iniciativa de levar técnicos do governo para verificar ‘in loco’, a extensão da crise. Visitamos as localidades Carnaubal, Beira da Baixa e Coroatá todas no município de São João Batista. Ficamos estarrecidos com aquelas cenas que presenciamos; total falta d’agua, região árida, sem vegetação, animais magros caminhando sem destino entre o junco e o capim secos, homens e mulheres carregando latas d’agua na cabeça e em lombo de animais. Documentamos com fotografias e retornamos para São Luís, onde dias depois realizamos a primeira reunião, eu, Reginaldo Telles, Léo Costa, Manoel Bordalo e técnicos da Secretaria de Agricultura. Foi primeiro passo para uma série de outras providências; envolvemos no debate os Secretários da Agricultura, Indústria e Comércio, Projetos Especiais e conseguimos o apoio de Neiva Moreira, intransigente defensor da nossa ideia. Com a formação desse grupo destacamos o empenho e o interesse de Luiz Raimundo Azevedo e Júlio Noronha e assim foi possível convencer o governador sobre a importância do projeto.
Com a mudança de governo o projeto foi mais uma vez reformulado e ampliado com a inclusão de mais municípios, passando por novas avaliações sobre impactos ambientais, e outras, enfim uma série de medidas a meu ver desnecessárias pois só contribuíram para protelar a execução do que será um dos maiores empreendimentos de contenção de água doce e preservação do meio ambiente e de uma biodiversidade só comparável ao pantanal de Mato Grosso e Guaquil no Equador, região com as mesmas características da Baixada, extensão muito aproximada, e paradoxalmente uma das mais desenvolvidas daquele país.
A Companhia de Desenvolvimento do Vale do Parnaíba -CODEVASP está coordenando e acompanhando o andamento do projeto, já totalmente concluído e em fase de licitação, dependendo apenas de uma decisão de governo para início dos trabalhos, mas pelo que observamos não será este ano que o governo do Estado dará sinal verde, ficando a Baixada mais uma vez a mercê da sensibilidade de seus governantes. Finalizando afirmo a recuperação da Baixada é prioridade, a água torna-se cada vez mais escassa no planeta e não podemos permitir que esse magnífico potencial hídrico da Baixada continue se perdendo a cada ano.
Luiz Figueiredo, empresário e diretor-presidente da Rádio Beira Campo e da Fundação Chiquitinho Figueiredo e ex-prefeito de São João Batista