domingo, 18 de junho de 2017

E quase tudo virou saudades

Japeçoca
Há muito queria escrever sobre tudo que tinha na minha terra e hoje não tem mais, ou é muito difícil de se encontrar. E a penca de coisas é enorme. Para tanto tive de fazer uma verdadeira regressão psicológica. Um mergulho no tempo. E certamente não mencionarei tudo que o tempo guardou no esquecimento. Mas procurarei ser fiel às minhas lembranças: as veredas por onde andei, os frutos que saboreei e do muito que preencheu os dourados dias da minha infância.

Retrocedi no tempo e me vi nos meus dias de férias na casa de meus avós maternos no Boticário, - uma reentrância de campo onde se espalhava um extenso tapete verde de capim de marreca. Às primeiras chuvas o campo se enchia e logo vinham as vegetações imergindo do solo submerso. Eram as orelhas de veado, os pajés, as vitórias-régias, as gapeuas, os guarimãs que logo recebiam as primeiras japeçocas em seus acasalamentos e berçário. Nas primeiras horas daquelas manhãs ou nos fins daquelas tardes ouvia-se o cantar delas que cruzavam o estreito ressaco de enseada em direção à casa de Seu Doquinha ou lá pras bandas do Urucu. Era comum se vê singrando os campos nunca cercados, pessoas que faziam daquele habitat o seu próprio sustento e meio. As canoas e os marás eram utensílios de uso de todos que por ali moravam.

A parte alta de terra começava quase sempre por um rosário de quirizeiros, cujos frutos perfumavam o ambiente em suas épocas. Os tarumãs e as ingás também ganhavam aspecto em meio a plantação nativa. Mais no alto sobressaiam-se as casas dos moradores com seus quintais e roças.

A casa do meu avô Heráclito ficava em uma parte mais alta. À frente, um terreiro sempre limpo onde pastavam os animais e onde quase sempre era improvisado um campinho de futebol. Do lado a velha “casa-do-forno”. Mais para a direita ficava a casa de Seu José Castro, enquanto para o lado esquerdo morava o ranzinza Seu Zé Costa. Meu avô, de cuja lembrança me foge à memória, era um senhor severo, daqueles que empenhavam a palavra como a honra maior de um homem. Minha avó, Andrelina – a quem nós chamávamos carinhosamente de Delica - era extremamente dócil. Tinha nos seus pequenos olhos o profundo de um azul-mar. Era ela quem nos acolhia, quando das travessuras, do relho que era anunciado e quase sempre cumprido.

Bico-de-brasa
Afora a casa, quase sempre se tinha um poço no quintal, além, de uma sentina, um chiqueiro, um galinheiro e uma estrebaria. A primeira parte do quintal era quase sempre constituído de algumas árvores frutíferas, tais como, limoeiros, laranjeiras, tanjarineiras, algumas bananeiras e mangueiras. Sobressaia-se também um jirau e uma armação de paus que, fincados no chão, se cruzavam em xis para o suporte de canteiros suspensos, onde se plantavam as ervas e os temperos caseiros. Muito difícil vê-se quintal assim hoje em dia.

Do lado da estrada que vinha até a casa de meu avô uma frondosa mangueira nos presenteava com uma espécie rara de manga: a sapatinho. Confesso que nunca vi em outro lugar, acho que era o último exemplar. Era um tipo pequena, mas de um sabor agridoce sem igual. Era a preferida dos bezerros que costumavam por ali pernoitarem. Outras grandes árvores também compunham a beleza ímpar daquele lugar. Nelas costumavam se ver exemplares de tucanos, ainda que raros. Mas eram comuns naqueles tempos os bicos-de-brasa, os japis – estes tinham na grande árvore seus ninhos bem trançados que balançavam ao sabor do vento matinal. Por ali também visitavam as rolinhas “fogo-pagô”, e as pipirinhas pardas e azuis. Nas roças, nos arrozais, faziam algazarra os curiós, caboquinhos e bigodes. Todos livres, leves e soltos a grazinarem suas sinfonias nas manhãs de minha infância.

Entre as astúcias dos meninos daqueles tempos, uma era imprescindível. Menino que se prezasse valente, astuto e traquina, tinha que ter uma baladeira, uma cordinha, ou um pequeno cabresto, afim de campear os carneiros que pastavam soltos nos campos e capoeiras. Os machos nos serviam de montaria, enquanto as fêmeas quase sempre tinham outras utilidades.

Na volta pra casa, exceto as responsabilidades de ir para o Grupo Escolar e para a aula particular – coisa que sempre fomos obrigados a fazer, eu, meus irmãos e muitos da minha época – na casa de Dona Ubaldina, a vida seguia seu curso normal de menino. Uma pelada nos campinhos improvisados, o jogo de bolinhas, a bola de meia, o dinheiro de carteira de cigarros, os chevrolets feitos de latas de sardinhas com pneus de rolhas de vidros de penicilina, além de algumas tarefas caseiras, como o recolhimento crepuscular dos animas e o agasalhar de algumas poucas criações. Isto era muito comum nas famílias da época. Algumas vezes, em tempos já mais estios, os animais se afastavam pra mais longe e quase sempre não retornavam para casa no cair da tarde. Era certo que no dia seguinte tinha-se que ir atrás. O rumo era o Arrebenta, o Cazumba, o Jamari e o Candonga. As vezes se tinha êxito, mas quando não, a busca se repetia no dia seguinte.

Pipira azul
Nestas andanças por entre as capoeiras, uma fartura de frutos do mato sempre apareciam do nada, como se quisessem nos encantar com os seus sabores silvestres. Eram maracujazinhos-do-mato, murtas, goiabas-araçás, maria-pretinhas, cauaçus e os deliciosos tucuns-verdes. As amejubas eram raras, mas com faro apurado podia se achar. Das palmeiras diversas e em seu tempo também se achavam as macaúbas e os marajás. Nos campos, os bandos de graúnas-de-peito vermelho faziam seu balé de cores e cantos. Tudo ali existia naquele tempo diante dos nossos olhos...  Hoje, quase nunca mais se tem ou se vê essas maravilhas do interior.

A busca pelos animais de casa me rendia um prazer imensurável de liberdade e conhecimento. Em algumas vezes, eu, perdido entre as guloseimas do mato, esquecia até da razão de estar naquelas andanças, enquanto o burro e o cavalo faziam o caminho de volta pra casa e chegavam primeiro do que eu, me permitindo às vezes uma pisa pela vadiagem.

Já na boca da noite, era preciso tomar o banho às pressas, antes que os caburés começassem seu canto noturno. Morria de medo. Precisava estar preparado para ouvir as histórias de Dona Palica, que entre uma cachimbada e outra, contava pra a meninada da redondeza, as histórias de reis e rainhas de um reino distante, bem como as dos bichos, em especial as de Coelho e Tia Onça, as que mais me encantavam.

Assim caminhava a noite. A lua quase que constante nos céus daqueles tempos, nos convidada para as brincadeiras de “cair no poço”. Chegava a hora de dormir. O pai-nosso, a Ave-Maria nos guardavam e nos protegiam. E assim embalávamos nossos dias na pureza da vida.


Hoje tudo isso é filme na minha lembrança que um dia vivi e que o tempo não me deixa viver outra vez. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Rui, Jorge e Damasceno: Os irmãos Figueiredo juntos novamente.

Os irmãos Rui, Jorge e Damasceno Figueiredo
Soube ainda há pouco, ao abrir minha rede social Facebook do falecimento de um grande amigo do meu pai, e por extensão também meu amigo. Refiro-me a Rui Gonçalves Figueiredo. Já era um senhor idoso. Vivera 84 anos. Natural de São João Batista, Rui, que segundo informações sofria do Mal de Alzheimer, faleceu na cidade de Parauapebas, Estado Pará.

O fato em si me comoveu, mas o que me chamou a atenção, além das muitas condolências manifestadas por muitos dos que o conheceram e por ele tinham alguma afinidade, ainda que a de simples conterrâneo, foi a foto postada por um dos seus sobrinhos. Na imagem ali estavam os três filhos de seu Artur Marques Figueiredo. Todos já falecidos: Rui, Jorge e Damasceno.

Fiquei a pensar como é de fato a vida. E como ela é de maneira frágil. Um dia estamos aqui, em outro dia não. Me fez reafirmar o que já passei a cultivar há um certo tempo: o tempo de hoje. Valorizar, respeitar e amar os verdadeiros amigos. Irmanar-se cada vez mais com aqueles que são o sangue do nosso sangue. Entendo cada vez mais que a vida é um permanente tecer de sentimentos bons, afinal, como diria o poeta, cada um compõe a sua história. Fazer o bem é mágica para se ter o bem.

Em pose de irmãos que se amavam, se respeitavam e se davam muito bem, os três aparecem abraçados. Comovente, sem dúvida. O registro se nos traz lembrança, aos familiares traz muito mais, pois era um tempo de vida e aqui eles estavam. Hoje não estão mais. Trouxeram consigo a marca familiar dos Gonçalves Figueiredo, ao lado de mais duas irmãs, Zinaura e Naura Gonçalves Figueiredo, ainda vivas.

João Damasceno o mais novo dos três foi o primeiro a se ir. Faleceu em 2004, vitimado por um câncer de próstata.  Era um boêmio. Poeta nas horas vagas. Convivi com ele alguns momentos de poesia. Vi-o recitar muitos dos seus poemas, infelizmente dispersos e levados consigo. De boa instrução, Damasceno sempre exercia funções cidadãs na nossa cidade. Foi funcionário público estadual. Serviu por muitos anos como vigilante do Colégio Acrísio Figueiredo. Sempre foi afeito ao trabalho, seja como lavrador, pois sempre tinha sua roça, seja como proprietário de olarias. Porém era com a função de açougueiro que mais se identificava. Era um exímio magarefe. Trabalhou por muitos anos nos mercados de nossa cidade.

Jorge Figueiredo tem destaque sobretudo na vida política de nossa cidade. E assim já tem seu nome na história joanina. Reservo em especial outros escritos sobre a vida e a obra política deste que foi de simples chofer de caminhão a ser uma das grandes lideranças políticas de sua terra. Um ano após a morte do seu irmão mais moço, o coração do ex-coletor estadual, ex-vereador e ex-prefeito não resistiu. Jorge faleceu em 2005. Era um homem por quem eu tinha um profundo respeito, cujo sentimento ele me retribuía com grande admiração.

Rui, o mais velho, foi-se hoje. Foi pra mim, o mais hábil dos velhos cortadores de carne do antigo mercado municipal, que ficava onde hoje é a praça de eventos. Foi lá que o conheci, nas minhas primeiras responsabilidades de rapazinho, quando ainda de madrugada era preciso estar no mercado. Naquela época de pouco provimento, era preciso ser astuto, pois o mercado era um lugar também de barulho. Era preciso gritar alto para se fazer ouvido. Talvez por isso o velho Rui fora aos poucos perdendo a audição. Tinha que se falar alto para que ele nos ouvisse. E nem se zangava quando a gente o chamava de “surdo”.   Foi também funcionário público estadual. Era vigia. Foi lotado por muitos anos até se aposentar no Colégio Acrísio Figueiredo.  Sempre que nos encontrávamos, ele perguntava pelo meu pai, e fazia questão de dizer que eram amigos. E isso, como se fosse uma missão, me fazia mais amigo dele.

Hoje os três filhos-homens de seu Artur não estão mais aqui, mas a fotografia agora se repete, só que em outro plano, o dos céus. O de Deus. Se aqui no plano dos homens, pairam as dores, as lembranças, as lágrimas, no plano celestial, os irmãos se reencontram. E certamente abrirão sorrisos ao se abraçarem, afinal, a vida segue, e a morte é só passagem. E o céu é um lugar de plena felicidade.

Aos familiares o nosso profundo pesar.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ex-prefeita Maria Raimunda começa a pagar caro pela sua desastrosa administração

Ex-Prefeita Maria Raimunda
A ex-prefeita Maria Raimunda que ficou conhecida pelos seus impropérios e muito mais pela desastrosa administração à frente da Prefeitura de São Vicente Férrer, começa a pagar pelos seus "pecados" administrativos. Ela que afirmava que a "alegria vem das tripas", terá certamente agora motivos para chorar. E a razão segue-se abaixo. 
O juiz Bruno Barbosa Pinheiro, titular da comarca de São Vicente Férrer, condenou a ex-prefeita do município, Maria Raimunda Araújo Sousa – também conhecida nas redes sociais como “prefeita caloteira” – por atos de improbidade administrativa praticados na sua gestão . Entre as penalidades à ex-gestora, a suspensão dos direitos políticos por cinco anos; multa de 20 (vinte) vezes o valor da remuneração mensal, quando chefe do executivo, e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócia majoritária, pelo prazo de três anos.
A sentença foi proferida em Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa movida pelo Ministério Público Estadual em desfavor da ex-prefeita. Na ação, o MPE cita o inquérito civil nº 001/2013, instaurado no âmbito da Promotoria de Justiça do Município (São Vicente Férrer), que constatou como condutas improba atribuídas à ex-gestora a não realização de concurso público; manutenção de servidores em desacordo com a lei; utilização de critérios pessoais para contratação e exoneração de servidores; impedimento aos servidores concursados/estáveis de exercerem seus cargos, sem a instauração de procedimento administrativo; não pagamento regular dos salários dos servidores e prática de nepotismo na administração municipal.
Em vista dos fatos, à época da ação (2013), o autor requereu o afastamento liminar da requerida e a exoneração dos parentes da mesma do quadro da Prefeitura.

Em contestação, a ré sustentou ter verificado, no início da gestão, a existência de servidores contratados e concursados que não trabalhavam, mas apenas recebiam salários, motivo pelo qual teriam sido exonerados. Ainda segundo a ex-prefeita, a gestão entendeu que a realização de concurso público no início do exercício do cargo seria uma medida demasiadamente complexa, razão pela qual somente no fim do primeiro mandato enviou à Câmara Municipal projeto de realização de concurso.


Sobre o atraso de salários, Maria Raimunda alegou que o problema vinha da gestão anterior ao seu mandato, mas que estava adotando medidas para regularizar o pagamento. Em relação ao nepotismo, a ex-prefeita afirmou à época que a contratação de parentes não constitui violação à Súmula Vinculante nº 13, do STF, mas, ainda assim, garantiu, exonerou todos os parentes de cargos políticos.
Tentativa de ludibriar o Poder Judiciário

Sobre essa última afirmação, o juiz frisa, em suas fundamentações, que, embora constem dos autos portaria de exoneração da filha da ex-prefeita, Linda Sousa Penha, do cargo de secretária municipal de saúde, e datada de 20 de novembro de 2013, provas juntadas pelo autor da ação atestam que a mesma continuou a exercer livremente o cargo, pelo menos até o dia 17 de junho de 2014.
Linda teria, inclusive, assinado parte da prestação de contas do Município no exercício de 2014, bem como ofícios encaminhados à Promotoria de Justiça do Município e datados de dezembro de 2015, além de janeiro, fevereiro e março de 2016.

Imenso dolo 

Sobre o atraso no pagamento de salários de servidores, o juiz destaca que no dia 10 de março de 2016 o MPE informou que a irregularidade continuava. O juiz ressalta que a irregularidade culminou no bloqueio de 60% dos recursos das contas do Município de São Vicente Férrer, e o posterior bloqueio integral de todas as contas municipais durante a última semana da gestão da ré.


“Salta, pois, aos olhos, o imenso dolo da prática dos atos relacionados, com interferência na vida dos munícipes, indo além do dolo genérico, consistente na vontade livre e consciente de agir em desacordo com a norma, que já é suficiente à configuração de cada uma das condutas descritas como ato administrativo que atenta contra os princípios da administração”, conclui o juiz.
(Com informações do Blog da Silvia Teresa)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O triste fim de um bando de canalhas

Por Caio Fernandes
Francis Bacon é autor de uma frase que costumo usar em momentos históricos como o de hoje, 17 de maio de 2017. Dizia ele que a verdade é filha do tempo e não da imposição.
Nada mais apropriado para o dia em que caiu por terra, definitivamente, a máscara de soberba e hipocrisia que encobria a decrepitude de um sistema político dominado por uma escória que foi capaz de arruinar uma democracia inteira em defesa dos mais inconfessáveis interesses.
Ironia das ironias, foi por medo do mais atual instrumento de tortura da idade moderna, a prisão preventiva indefinida, que os donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, proporcionaram a mais avassaladora delação premiada de toda a operação Lava Jato.
Não deixa de haver nesse episódio uma espécie de justiça providencial.
Utilizados como ferramentas medievais na insana busca de argumentos minimamente aceitáveis para incriminar Lula, Dilma e o PT, prisão preventiva e delações foram exatamente os recursos que acabaram por provar a escandalosa conspiração que depôs uma presidenta honesta e perpetuou uma caçada jurídica e midiática de décadas ao maior líder popular desse país. 
Iniciada desde os primeiros minutos em que Dilma Rousseff foi reeleita em outubro de 2014, o conluio capitaneado pelo projeto de poder derrotado nas urnas utilizou-se de todos os meios, instituições inclusive, para minar e inviabilizar o governo reconduzido pelo povo ao poder.
Munidos com o capital do alto empresariado, do jornalismo de guerra da mídia familiar e da justiça cooptada da primeira instância até a mais alta corte, a nata da corrupção política brasileira enganou descaradamente uma parcela significativa da população buscando a desestabilização do governo.
Nada representa melhor o que significou o golpe de Estado sofrido pelo país do que a aceitação do processo de impeachment ter sido feita por um criminoso como Eduardo Cunha. O mesmo que, agora está provado, confabulava com o vice decorativo e sua quadrilha, a tomada violenta do poder.
Poucos messes após uma das mais vergonhosas sessões já vistas na Câmara dos Deputados, o Senado dava cabo de um projeto vitorioso de inclusão social e redução da desigualdade que perdurou por mais de uma década.
Entrou em cena a mais pavorosa malta já reunida no Palácio do Planalto. A truculência, o machismo, a misoginia, a incompetência e a falta de diálogo foram postos em ação para ruir a soberania brasileira em pagamento dos relevantes serviços prestados pelos grandes interesses internacionais.
Em apenas um ano de governo, o Brasil retrocedeu décadas. Ficamos mais pobres, mais desiguais, mais desempregados. Fatiamos e doamos a Petrobrás a empresas internacionais. Condenamos a educação e a saúde a décadas sem investimentos. Perdemos todo o prestígio internacional que conseguimos a duras penas.
Em resumo, um escândalo num dia, um desastre no outro. Quando não os dois. 
A delação dos donos da JBS vem pôr fim a um dos mais obscuros momentos políticos de nossa história. Restou desmoralizado todo o governo Temer, o Supremo Tribunal Federal que foi incapaz de impedir os atos de Eduardo Cunha e a operação Lava Jato que terá agora que lidar, fatalmente, com aqueles a quem tanto tentou proteger. 
Escrevi em 7 de julho de 2016, pouco antes da votação do impeachment no Senado Federal, um artigo intitulado “O desfecho de Temer será ainda pior do que o de Cunha”. 
Não resta dúvidas que esse medíocre que ora rasteja no lamaçal de imundície que ele próprio criou, entrará para a história do Brasil como o político mais odiado de todos os tempos. 
Que a profecia seja cumprida e que este seja o triste fim de uma canalha.

Caio  Fernandes - Economista com MBA na PUC-Rio, Carlos Fernandes trabalha na direção geral de uma das maiores instituições financeiras da América Latina.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

“ O cala-boca”

A carne e a Unha (Temer e Cunha)
Era sintomático o silêncio de Eduardo Cunha. Principalmente depois que ele ameaçou jogar “farofa” no ventilador. Disse que derrubaria a República. E está cumprindo, calado ou não.
Como bem indagou o jornalista Ricardo Noblat, por que o silêncio de Eduardo Cunha custa tão caro a Temer? Entre os tantos segredos guardados por Cunha e que, se revelados, seriam capazes de derrubar toda a República, há muito que se desvendar.
“Tem que manter isso, viu?” – disse Temer a Joesley Batista, dono do JBS, depois de ouvi-lo contar que pagava mesada a Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro, presos em Curitiba, para que não abrissem o bico.
Certo dia, quando Cunha ainda presidia a Câmara dos Deputados e Temer era vice-presidente, os dois se reuniram no Palácio do Jaburu com uma alta autoridade do Banco Central.
Depois dos cumprimentos iniciais e de uma troca de comentários desimportantes, Temer saiu da sala deixando a sós Cunha e a tal autoridade. Só voltou quando a conversa dos dois havia terminado. Sobre o que falaram Cunha e a autoridade do Banco Central? A Lava Jato quer saber.
A preocupação de Temer em manter Cunha calado, mesmo que atrás das grades, deixa bem claro que o ex-presidente da Câmara é um arquivo vivo e sabe de muitos fatos escabrosos da política brasileira, que podem transformar a República num verdadeiro colapso. Acredite, pior ainda que os dias atuais…
Autor da reportagem que revelou a existência de gravações feitas pelo empresário Joesley Batista contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), a coluna de Lauro Jardim, do Globo, informa nesta quinta-feira (18) que o dono da JBS contou ter pagado propina de R$ 60 milhões ao tucano em 2014.
https://t.dynad.net/pc/?dc=5550003218;ord=1495116611035Os pagamentos, conforme a coluna, foram feitos por meio de notas fiscais frias a diversas empresas. Joesley também contou que comprou o apoio de vários partidos políticos para apoiar a candidatura de Aécio à Presidência da República naquele ano. O senador chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado pela presidente Dilma Rousseff (PT), então reeleita.
Aécio e Zezé Perrela
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar pedido de prisão do senador e do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Joesley gravou conversa com Aécio em que o tucano lhe pede R$ 2 milhões. O dinheiro foi entregue em quatro parcelas de R$ 500 mil a Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador. Além de Frederico, foram presos nesta manhã Andréa Neves, irmã de Aécio, e Menderson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).
As residências e os gabinetes de Aécio, Perrella e Rocha Loures foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Gravações
De acordo com o jornal O Globo, Rocha Loures foi flagrado recebendo R$ 500 mil de Joesley para tratar de assuntos da JBS. Perrella é pai de Gustavo Perrella, apontado como o dono da empresa que recebeu os recursos destinados a Aécio. Um assessor do senador foi identificado como a pessoa que transportou os valores.
Em negociação para acordo de delação premiada, Joesley e seu irmão Wesley entregaram documentos e gravações à Procuradoria-Geral da República e ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato. No encontro, segundo o jornal O Globo, Joesley contou a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro – presos em Curitiba – uma mesada para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.
Após a revelação do caso, dois pedidos de impeachment foram apresentados contra Temer na Câmara.  Na presença de Joesley, o presidente indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em seguida, segundo a reportagem, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados pelo empresário goiano.
(Com informações do site Congresso em Foco.)


domingo, 14 de maio de 2017

Moro murcha, Lula cresce

Por Mauricio Dias — 
A politização obsessiva da Lava Jato provou ser prejudicial para os inquisidores da República de Curitiba

As mais recentes pesquisas de opinião, outra vez vantajosas para Lula, acirraram mais o temor dos adversários do metalúrgico representados por parte da população mais endinheirada, tendo como porta-voz a oposição da mídia conservadora

Essa reação nervosa contra Lula tem o apoio, circunstancial, do desempenho dos operadores da Lava Jato, guiados pela tirania imposta pelo juiz Sergio Moro e orientados por certas regras da 13ª Vara Criminal Federal do Estado do Paraná. Em outras palavras, teria sido melhor para os inquisidores se a busca de corruptos e corruptores não tivesse sido politizada. 

Em busca de um meio qualquer e na esperança de ordenar a prisão do ex-presidente, o badalado magistrado às vezes perde as estribeiras com decisões no gênero da exigência da presença de Lula na audiência de todas as 87 testemunhas elencadas pela defesa. Esse estranho confronto com o acusado talvez revele o início de desprestígio de Moro após três anos em cena. 

O metalúrgico e o magistrado vão se encontrar no próximo dia 10 de maio, em Curitiba, quando o ex-presidente for depor. Frente a frente, diria Moro. Cara a cara, Lula replicaria. Até agora o juiz carece de provas “robustas”, como se diz nos corredores da Justiça. 

Moro começa a murchar. Lula, ao contrário, cresce. O ex-presidente não desaparece como pretendiam seus adversários. Ou melhor, inimigos dispostos a destruí-lo. O golpe contra Dilma Rousseff, nota-se agora, resgatou parte dos danos provocados na influência política de Lula ao longo do processo. 

Em parte, isso é explicável. O fortalecimento do ex-presidente, após os possíveis estragos da Lava Jato, contrapõe-se à ascensão de Michel Temer ao poder. Apoiado pelo PSDB, a crise caiu no colo da extrema direita. Jogar a culpa só no governo petista não colou. 

O líder petista tem hoje o maior “potencial de votos” numa projetada disputa pela Presidência da República, em 2018, segundo números do Ibope. A rejeição a ele, embora elevada (51%), caiu 14% desde o golpe e já incluindo nesses números os processos da Lava Jato. Entra nessa história, pela convicção e não pela comprovação, o triplex de Guarujá, cuja propriedade é atribuída a Lula.

O segundo depoimento de Léo Pinheiro, diretor da OAS preso há quase um ano, desdiz o primeiro. Numa suplicante delação, ampliada e melhorada na perspectiva de Moro, ele tentou detonar uma bomba ao afirmar que Lula deu a seguinte ordem a ele: “Se houver provas, destrua”.
Pinheiro não apresentou provas e ainda deixou um rastro de incredibilidade na própria resposta que atribuiu a Lula. Seria mais crível ao soar da seguinte forma: “Se houver provas, rasga essa merda”. 

(*) Maurício Dias é jornalista e escreve para a Revista Carta Capital.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A MPB de luto

A música brasileira teve nos últimos dias duas grandes perdas. Porém os públicos de um, talvez não fossem do outro. Os estilos eram diferentes. Enquanto um passeava nas composições alheias e aferia os louros de uma carreira glamorosa, o outro cortava fundo na própria carne da poesia. Falo de Jerry Adriani vitimado repentinamente por um câncer pancreático, e de Belchior, vitimado pelo canto que brotava de suas veias e coração poéticos.

Retomo a missão de alimentar o blog com o texto que diz tudo o que eu diria sobre esse fenomenal artista da língua e da música brasileira. 


A arte de Belchior

Por  Jotabê Medeiros

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior comandou uma rebelião silenciosa na música popular brasileira. Uma rebelião contra os totens da geração anterior (Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil), contra as limitações impostas pela ditadura policial, contra a diminuição do papel libertário da juventude na afirmação do futuro, contra os horizontes curtos da poesia musical de deglutição fácil.

Ex-monge capuchinho, ex-estudante de medicina, ele trouxe uma ética rígida de comprometimento e romantismo para a nossa literatura musicada, e ninguém jamais irá tão longe quanto ele, nunca. Primeiro, porque Belchior foi tão distante em seu questionamento que optou pela própria desaparição como sua derradeira obra.

De recursos musicais parcos, Belchior apareceu para a música em 1967, em Fortaleza, no Ceará, arregimentado na faculdade de medicina pelos amigos talentosos (Jorge Mello, Fausto Nilo, Augusto Pontes, Fagner, Amelinha) para as fileiras da música. Tocava um violãozinho limitado, conhecia Luiz Gonzaga e Cego Aderaldo, assim como Ray Charles e Beatles. Tinha, contudo, um componente delirante: a filosofia católica, que tinha estudado como frade no Mosteiro de Guaramiranga entre 1963 e 1966.

Seus embates entre a culpa católica e o visionarismo libertário fizeram dele o maior poeta de sua geração. Como Rimbaud e William Blake, que ele amava, atravessou territórios entre a alma e o corpo para forjar sua obra, que é inigualável.

Belchior viveu em festas faustosas e morou em canteiro de obras. Fascinou Elis Regina e também Raul Seixas. Enfrentou a exceção democrática com os versos mais duros e guerrilheiros que a MPB conheceu, mas que eram tão finos que os censores nem entenderam direito. Debateu com Caetano Veloso e foi ao Congresso em busca de melhores condições de pagamentos de direitos autorais.

Seus discos-chave são os três primeiros: "Mote & Glosa", "Alucinação" e "Coração Selvagem". Nesses três discos, exercitou as qualidades que o distinguiriam para sempre. "Mote & Glosa" é a experimentação mais vanguardística aplicada à tradição regional, ao pó do sertão. "Alucinação" é a visão do Dylan caboclo, é a transcriação da folk music em uma estrutura de romantismo suburbano. "Coração Selvagem" é o manifesto libertário, o rompimento com as amarras sociais.

Belchior viveu entre o Rio e São Paulo, estabelecendo-se nesta última. Foi o primeiro a fazer uma canção como se deve para a metrópole que abraçou, a pauliceia. Chama "Passeio", está no seu primeiro disco.

Produziu discos nos Estados Unidos ("Todos os Sentidos" e "Era Uma Vez um Homem e o Seu Tempo"), brigou de faca com seu grande antípoda musical, Fagner, amou muitas mulheres e foi cortejado como sex symbol pela indústria musical. “Mas a mulher, a mulher que eu amei, não não pode me seguir, não”. Almejou tornar-se independente da indústria e construiu suas próprias gravadoras (Paraíso Discos) e estúdio (Camerati). Fracassou.

Não houve artista mais fora dos trilhos do que Belchior na música brasileira. Foi o grande outsider da canção, até Raulzito era mais gregário do que ele. Fez canções concretistas em 1967, 1968. Falou de psicanálise, futebol, Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, Dante Alighieri, Drummond. Em suas canções, nada disso soa blasé, forçado, é tudo orgânico, macio, encaixado. Belchior nunca foi papudo - são famosos os versos de "Velha Roupa Colorida" nos quais ele cita Poe, Beatles e Luiz Gonzaga de uma tacada só.

A grandeza de sua poesia movimentou teses de doutoramento, acendeu a chama em artistas jovens do Brasil todo, que abraçava como parceiros, como Gracco (compositor de "Coração Alado") e até artistas de outros quadrantes, como Arnaldo Antunes e Aguilar, de São Paulo. Mas, em toda sua trajetória, o desejo de desaparecer, o inconformismo com os rumos da vida coletiva e também a individual marcavam seus versos. Cumpriu-se uma profecia. Como ele disse, na canção "Depois das Seis" (do disco "Objeto Direto"):

“Até logo. Eu vou indo.
Que é que eu estou fazendo aqui?
Quero outro jogo
Que este é fogo de engolir”

Do UOL


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Agora lascou: população protesta contra a legalidade?

Não se espantem se este movimento reivindicatório, que vai na contramão da lei, tornar-se matéria de televisão a ser exibida em rede nacional, ou ser exibida em manchetes de primeira página dos principais jornais da capital. Um verdadeiro absurdo. Algo inimaginável.

O mais incrível é conjecturar-se que “esta ideia de jerico” possa ter saído da cabeça de algum político, que por ventura tenha prometido emprego a troca de votos, como é, diga-se de passagem, costume nestas terras.

Promotor Felipe Rotondo
Parece inacreditável, mas o certo é que algumas pessoas que já estavam supostamente contratadas para trabalharem em alguns setores da Prefeitura de São João Batista, mesmo contrariando as determinações da Lei, foram às ruas hoje para protestar contra as determinações do Promotor Felipe Rotondo (foto), que atendendo ao princípio da legalidade, proibiu contratações sem o devido seletivo, em decisão acatada pelo juiz da comarca Dr. Ivis Monteiro.

Se por um lado esta decisão visa o disciplinamento dos serviços públicos, inclusive com a contratação de servidores temporários, há quem interprete que estas medidas possam prejudicar o andamento da gestão do atual prefeito. E foi bem aqui o “X” da questão.

À parte as erradas interpretações, estas medidas do MP sempre foram e serão bem vindas, mesmo que se lamente que não tenham vindo há mais tempo, para que hoje fossem entendidas como uma cultura. A contratação demasiada sem a qualificação necessária e sem os princípios da meritocracia, só causam prejuízos à administração pública, cria vícios e em nada favorece aos que por ventura se locupletam de tais procedimentos.

Estas medidas são fundamentais para a moralização no serviço público. Entretanto só o entendimento de ambas as partes podem resolver este imbróglio. Se os excedentes do concurso público, não atendem aos cargos e funções de vital necessidade para o funcionamento da máquina pública, é normal, em caráter precário e provisório, a contratação, mediante autorização da câmara municipal, desde que atenda aos princípios legais, isto é, que seja feito um seletivo para a contratação destes profissionais, resguardadas todas as garantias e direitos a estes servidores contratados, no que convenhamos, muitas vezes nunca aconteceu assim.

Estão acertadas as medidas do MP. Zelar pelo cumprimento da lei. Isto que no momento pode parecer entrave ou dificuldade para o novo gestor, poderá ser, no futuro, se levada a cabo, a garantia de uma gestão exemplar, sem atraso de salários, e com uma máquina pública enxuta e eficiente.


Outras questões que também maculam o ingresso de funcionários no serviço púbico também precisam do olhar do MP. Medidas que visem a moralidade da administração pública também devem ser objeto de “uma operação pente-fino”. Mas isto é uma outra questão!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O juiz Moro e a Lava Jato

A primeira fase da Operação Lava Jato foi deflagrada em março de 2014. Passados três anos, as denúncias se acumulam, mas nenhum político com foro privilegiado foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas quatro viraram réus.
Na tentativa de afastar críticas de intervenção na operação, o presidente Michel Temer prometeu, na segunda-feira, que afastará definitivamente ministros do seu governo que venham a ser processados dentro da Lava Jato - mas como os números mostram, pode demorar muito para que isso eventualmente ocorra.
Em contraste, o juiz Sergio Moro já condenou 87 pessoas, algumas mais de uma vez, por diferentes crimes, totalizando 125 sentenças. Entre eles estão políticos sem mandato e que, portanto, perderam o foro, como o ex-ministro José Dirceu (PT) e o senador Gim Argello (ex-PTB).
A grande diferença de ritmo das duas instâncias do Judiciário causa controvérsia. De um lado, há quem veja na suposta lentidão do Supremo uma janela aberta para a impunidade. De outro, críticos do trabalho de Moro acreditam que o juiz estaria atropelando as garantias dos acusados ao acelerar os processos.

As críticas ao Juiz Sergio Moro

Enquanto o STF tem que julgar os mais diferentes assuntos, Sergio Moro se dedica exclusivamente à Lava Jato. Desde fevereiro de 2015, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) suspendeu a distribuição de outros casos para sua vara. Moro recebe apenas processo ligados à Lava Jato.
Se por um lado essa exclusividade contribui para dar mais celeridade aos processos, por outro gera críticas. "Virou uma vara totalmente da Lava Jato, o que é incomum", observa o advogado Gustavo Badaró, professor de direito processual penal da USP.
Já a subprocuradora Ela Wiecko considera que Moro adota uma postura de "combate ao crime" que não é correta para um juiz, que "deve olhar os dois lados".
Na sua opinião, Moro "pesa a mão" aos fazer interpretações "muito amplas" do que são organizações criminosas ou ações de obstrução da Justiça. É comum que ele mantenha executivos e políticos presos por longos períodos mesmo sem terem sido condenados sob a justificativa de que podem atrapalhar investigações.
Na semana passada, o ministro do STF Gilmar Mendes criticou Moro. "Temos um encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre esse tema, que conflita com a jurisprudência que construímos ao longo desses anos", afirmou.
Ao longo de 37 fases da Lava Jato, Moro decretou 79 prisões preventivas. Atualmente, 22 ainda estão presos nessa modalidade, entre eles Cunha, o ex-ministro Antônio Palocci e o ex-governador do Rio Sergio Cabral.

Temer mira em direção à Lava Jato
A revista Carta capital publicou em sua edição do dia 15/02 alguns atos pensados pelo Presidente Michel Temer que miram sutilmente a explosão da maior operação que investiga a corrupção no meio político da república brasileira. Isto não deve parecer surpresa, uma vez que em gravação do ex-diretor da Transpetro (subsidiária da Petrobrás), Sérgio Machado, com o senador Romero Jucá (PMDB/RR), líder do governo no senado, já fora revelado este propósito.
Vajamos os atos que visam, segundo a Carta Capital, a estancar a sangria que faz a Lava Jato no meio político, sobretudo ao que estar no poder: 1) Eunício na Presidência do Senado; 2) Maia na Presidência da Câmara; 3) Moreira Franco no Ministério; 4) Alexandre de Moraes no STF; 5) Lobão na CCJ; 6) Gilmar Mendes critica o juiz Sergio Moro; 7) Tentativa de amparo a Eduardo Cunha; 8) A composição da CCJ/Senado constituída por dez investigados na Lava Jato; além de outros como “o silencio das ruas” e a defesa das medidas patrocinadas pelo governo de Temer, pelo MBL (Movimento Brasil Livre), ligado ao governo Temer; a possível substituição do Diretor da Polícia Federal Leandro Daiello e a mais recente e hilária, a de que o Presidente afastará qualquer ministro do seu governo que for denunciado na operação Lava Jato, quando prova exatamente o contrário, assim que nomeia Moreira Franco para Ministro. Não menos estranho foi a liminar do ministro do STF validando esta nomeação.

Tábua de pirulito

É nisto que tem se transformado as estradas maranhense com as primeiras chuvas deste ano, em especial a MA-014, que atravessa a Baixada Maranhense, dado ao aparecimento de incontáveis buracos, os quais vêm gerando inúmeras reclamações daqueles que fazem uso dessa importante via de acesso. O trecho entre Vitória do Mearim e Viana tende a ficar mais crítico. Nos outros trechos até a cidade Pinheiro, também começam a aparecer trechos que logo se tornarão intransitáveis, se não houver uma intervenção da SINFRA, na manutenção de toda a rodovia.
Outro pontos de outras rodovias que cortam o Estado também já apresentam os efeitos das fortes chuvas. Um deles é entre a cidade de Miranda e Arari, no povoado denominado Bubasa, onde a BR está em vias de se romper pela força dá agua que atravessa um bueiro ali existente.

Tempo de Chuva

Se por um lado as grandes chuvas que caem sobre o Maranhão, em especial na região da Baixada Maranhense, provocam danos às malfeitas e conservadas estradas estaduais, o mesmo não se pode dizer das mesmas chuvas que enchem os campos, fazendo a alegria dos criadores e moradores das áreas campesinas e dos lavradores. Para estes as chuvas são motivos de alegria e a certeza de uma produção de muita fartura. Em São João Batista, moradores já dizem ser este, um dos mais chuvosos meses de fevereiro, dos últimos tempos. É como dizem os baixadeiros: “Louvado seja! Deixa chover!”

O carnaval e a crise

No próximo final de semana já é carnaval. A maior festa popular do mundo acontecerá nos dias 25, 26, 27 e 28 do corrente mês. Muitas prefeituras não realizarão seus carnavais, alegando não ter condições para gastos demasiados, outras optaram por fazer uma carnaval mais comedido de atrações, sem muitos gastos. Tudo por conta da crise financeira que assola os cofres municipais. A medida é cautelar e correta. Afinal não é e não deve ser prioridade para qualquer gestão fazer festas, mas sim cuidar da saúde, da educação, da infraestrutura e das políticas públicas que trazem dias melhores à população. No mais, entendemos que o carnaval é antes uma festa que é feita pelo povo e para o povo. O que basta é a alegria da gente. Como diz um amigo meu, “se for pra brincar, dançar, no carnaval, até rangido de porta serve”. Bom carnaval a todos, com crise ou sem crise!

Texto publicado na Coluna do Jersan, do Jornal Pequeno, edição de 19.02.2017