sábado, 9 de dezembro de 2017

A insensibilidade humana!

Por Caio Hostílio

O que faz um homem tomar atitudes como essa que acompanhamos nesses últimos três dias em Barra do Corda, cujo autor de um crime bárbaro foi o filho herdeiro político ceifar a vida do pai covardemente.
Alguém já parou para pensar na cena em que Nenzin, ex-prefeito de Barra do Corda, agonizava diante do filho que o tirou a vida e depois foi chorar no velório do pai, que sempre lhe estendeu a mão? Impossível tentar imaginar!!!
Na verdade, o fato é que não sabemos certamente quais os motivos para tais destinos cruéis e solitários. No entanto, há algo de mais deplorável nisso tudo – a insensibilidade de uma maioria que se diz humana. E a pergunta que não quer calar é: “por que nos tornamos insensíveis?”.
Essa pergunta é de uma complexidade extrema, mas o risco faz parte da vida e, neste caso, o momento é oportuno para uma hipótese.
Diariamente topamos com informações desestimulantes através dos televisores, computadores ou celulares. Dentre as tantas, estão: político tal foi preso por tráfico de informação, outro por manobras fiscais e outro por roubar milhões dos cofres públicos. Pastor é preso por estuprar fiel, padre é preso por pedofilia, mãe é presa por desmembrar a filha que saia com o padrasto e a pior de todas é ler que um filho tirou a vida do pai ou mãe, ou ao inverso…
O homem cada vez mais se afasta de Deus!!!
A humanidade se perde em seu egoísmo e sua ganância…


domingo, 3 de dezembro de 2017

Lançamento do livro “Ecos da Baixada” em São João Batista.

No dia de ontem (02/12/2017), membros do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense - FDBM estiveram em expedição à cidade de São João Batista para participarem do lançamento do livro “Ecos da Baixada”, que reúne cônicas e artigos de 32 escritores e conhecedores das riquezas, causos, contos e dificuldades dos municípios baixadeiros.

Foi um evento simples, porém uma aula de cidadania e história, em que a sociedade joanina participou e pôde ter acesso a uma série de histórias e conhecimentos de extrema importância para valorização dos baixadeiros, para que se reconheçam como sujeitos do processo histórico da construção desse estado e inclusive com contribuições relevantes sobre a capital São Luís e para que possam fazer parte dessa luta por mais políticas públicas e infraestrutura para região. Os trabalhos tiveram a condução do forense e joanino Batista Azevedo que de forma magistral fez as saudações à plateia, conduziu as falas dos oradores e agradeceu aos colaboradores pela realização de tão importante evento literário.

Ainda na viagem tivemos leituras de textos do livro e conversas animadas sobre a baixada com a importante contribuição do ex-prefeito de Viana e ex-deputado Chico Gomes, e outros forenses. Após o evento e como parte da programação foi feita uma visita ao antigo Porto da Raposa, onde tivemos uma aula de história, sobre a construção da cidade de São João Batista e cidades vizinhas influenciadas pelo referido porto que foi por muito tempo a rota de escoamento da produção da baixada, transporte de pessoas e mercadorias, com a contribuição do professor do departamento de história da UFMA, natural da cidade, Manoel Barros, quem escreveu justamente sobre o Porto da Raposa.


O evento teve seu encerramento com um almoço oferecido pela prefeitura municipal que deu todo apoio ao evento. Foi um momento magnífico e especial para todos que se identificam como baixadeiros. Ressalta-se também a importante contribuição do Superintendente de articulação da Baixada, Sr. Luiz Everton, que possibilitou a ida dos “ecoeiros” até a cidade de São João Batista, cuja população deu exemplo de civilidade, apreço, carinho e sensibilidade para com o evento literário.

(Texto de David Cutrim, com adaptações.)

Vejam outras fotos do evento:
















quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A CRÕNICA DO DIA

HOJE É DIA DE... 


A PAIXÃO QUE GUARDEI DENTRO DE MIM

(*) Nonato Reis

Quem nunca se apaixonou só passou pela vida - não soube o que é “andar de corda de rastro” (expressão típica do linguajar da Baixada, que significa “caminhar sem rumo, seguir sem razão) atrás de alguém, fazer dele a própria razão de existir. 
A paixão é essa força descomunal da natureza até hoje mal explicada pela ciência, capaz de subverter os valores de uma pessoa e fazer com que ela passe a agir, guiada pura e simplesmente por impulsos de emoção. Parodiando Paulinho da Viola, é como dizer que um rio passou diante dos olhos e o coração, maravilhado, se deixou levar.
Cá entre nós, como é bom se sentir abatido por uma certeira flecha de Cupido! Carlos Heitor Cony, um dos maiores escritores da atualidade, certa vez em entrevista a Jô Soares, disse, aos 80 anos, que apaixonar-se é a melhor coisa da vida. Para ele, a paixão, ao contrário do amor, é algo imprevisível, que induz a viver experiências inéditas.
O amor é banal; a paixão, antológica, ou patológica? – queima o corpo e a alma, reformula conceitos, obriga a fazer coisas inimagináveis. Como andar de madrugada pelas ruas e conversar com as estrelas, sorrir por nada, oferecer flores a um desconhecido, beijar a mulher do próximo.
Em outras palavras, a paixão tira a pessoa do pino e a revira do avesso. Joga por terra códigos de conduta e manuais de boas maneiras. Transforma o errado em certo; o lógico em irracional. Num passe de mágica faz você ascender ao céu e também descer ao inferno.
A doutrina espírita classifica a paixão como um atributo importante do espírito, que pode carregá-lo ao infortúnio, mas também guiá-lo à senda do bem, se devidamente canalizada para o empreendimento das boas ações.
Uma coisa é certa: paixão incendeia e enlouquece. Cony contou a Jô a história de um sujeito que, febril de amor por uma menina que vivia em um apartamento na Avenida Atlântica, no Rio, subia várias vezes por dia no pé de uma árvore, que ficava de frente para o prédio dela, só para vê-la se movimentar pela casa. 
A garota sequer o conhecia, nem de longe imaginava a torrente de sentimentos que fazia brotar no sangue do rapaz, mas para ele, olhá-la, mesmo a distância, como anônimo, já o deixava com a alma tomada de encantamento.
Paixão deixa o cara maluco aos olhos dos outros. Eu, quando vim estudar em São Luís, na escola Gonçalves Dias, no Apeadouro, onde cursei o ensino médio, conheci uma garota, que me deixou alucinado. Chamava-se Nonata Rodrigues, e logo no primeiro dia de aula, ao vê-la sorrir daquele jeito todo especial, foi como cair na armadilha de um feixe de luz. 
Era morena, alta, os olhos castanhos amendoados, corpo esguio, absurdamente linda.
O professor instou os alunos a se apresentarem e, ao revelar o meu nome, ela olhou-me surpresa e depois brincou comigo: “formamos um par pelo nome: Nonato e Nonata”. Eu sorri constrangido e, paralisado de timidez, perdi a fala. Os dias se passaram e, vendo o assédio dos colegas sobre ela, compreendi que não tinha a menor chance de qualquer aproximação. Mas ela, mesmo a distância, sempre dava um jeito de me olhar e sorrir, no que eu me sentia como que ingressando numa esfera mágica.
Descobri que morava na Aurora, ao lado de uma parada de ônibus, relativamente próximo da minha casa, que ficava na Cohab. Todos os dias pela manhã caminhava a pé até lá e, protegido por trás do tronco de uma mangueira, passava horas de tocaia, ávido por uma aparição dela no terraço, que tinha o significado de um prêmio. 
Uma vez descobri que ela iria fazer compras na Rua Grande. Peguei o ônibus bem cedo e fiquei numa esquina da rua, aguardando o momento dela cruzar o local. Depois de um tempo de espera que me pareceu eterno, finalmente apareceu. Trajava um vestido estampado de vermelho, sandálias sem salto, bolsa tiracolo. Nunca vi mais linda. Foi como antever a própria imagem do paraíso.
E por meses vivi aquele idílio e acreditei que dele jamais me libertaria, até o dia que ela veio até mim e anunciou que deixaria a escola. Quis saber por que, os olhos já tomados de tristeza. “Vou morar no Rio, tenho uma tia que mora no Leblon e quer que eu vá estudar lá”. Era coisa decidida. Até a passagem já havia comprado. Disse-me o dia e a hora em que viajaria, e eu entendi que aquilo podia ser um convite para uma última despedida.
Fui até o terminal rodoviário da Alemanha e por sorte a encontrei quando já ia entrar no ônibus da empresa Itapemirim. Ao me ver, sorriu, entre surpresa e feliz. Abraçou-me como se quisesse me guardar consigo e depois falou olhando nos olhos. “Te encontrar aqui foi o maior presente que poderia receber. Muito obrigada”. 
Os dias se passaram arrastados. Uma dor indômita parecia espicaçar-me a alma. Meses depois, recebi uma carta dela, que de tão extensa, mais parecia um jornal. Entre outras coisas, uma revelação que me deixou sem chão. “Você foi a melhor coisa que eu conheci no GD (iniciais de Gonçalves Dias), e o primeiro amor da minha vida”.

(*) Nonato Reis é poeta, cronista e jornalista.


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

... E já se vão 40 anos!

Sabe-se que o tempo passa rápido, voa como diriam alguns poetas, mas a verdade é que a gente sempre se surpreende quando se dá conta dos anos de existência de algo ou de alguém. Confesso que me surpreendeu o 40º aniversário da Escola Acrísio Figueiredo. E lembro bem como ela surgiu...

No meu querer de menino, juro que que não me agradou muito a ideia de perder o campo de bola que ficava por trás da minha casa. Era um pulo só, e lá estava eu junto aos companheiros da pelada no sol da tarde. O campo de futebol ali instalado fora uma empreitada de muitos meninos peladeiros. O terreno desmatado fora aos poucos tomando forma pelas mãos de nós, que queríamos o nosso campinho. O propósito da aquisição do terreno pelo poder público municipal era esse mesmo, transformá-lo em campo de futebol, pois o então lugar de jogos oficiais, tinha cedido espaço para a construção da maternidade municipal ainda pelo prefeito Luiz Figueiredo.

O novo campo ali feito foi palco da era gloriosa do futebol joanino. Ali viu-se o esplendor das jogadas de muitos craques nossos. Times que empolgavam com um futebol que encantava suas torcidas. Como esquecer dos times do Cruzeiro, Nacional e Lasagna. Os grandes campeonatos realizados por times da sede e da zona rural, revelando sempre craques da bola. A implantação e a oficialização daquela nova praça de jogos esteve sobre a responsabilidade do então prefeito Jorge Figueiredo, que até mandou cercá-lo certa vez com paus de mangue com o propósito de evitar que o gado não escavasse e sujasse tanto.

Tudo ia bem até que mais uma vez o velho campo de futebol cedia seu espaço. Desta vez para uma escola. Era o ano de 1977. O prefeito municipal já era Nhozinho Figueiredo. A justificativa era plausível e mais que justa. O velho Grupo Escolar Estado de Santa Catarina já não comportava a demanda sempre crescente de crianças que ascendiam ao ensino de primeiro grau, como assim era denominado todo o ensino fundamental à época.

Fachada da Escola Acrísio Figueiredo /São João Batista
Não sei ao certo quanto tempo levou a construção da nova escola que ao ser inaugurada no ano de 1977 recebera a denominação de Unidade Escolar Acrísio Figueiredo. E começou a funcionar logo no ano seguinte, em 1978. A demanda era sobretudo alunos das séries iniciais (1ª a 4ª séries).

A nova escola ali implantada deu uma nova dinâmica para a cidade. Ao lado da já existente Escola Municipal Presidente Médice, a unidade estadual de ensino redesenhou o espaço estudantil. Funcionando nos três turnos a Escola Acrísio Figueiredo logo passou a ofertar um maior número de vagas para as séries iniciais, nos turnos matutino e vespertino, e a implantação do ensino de Educação de Jovens e Adultos, no turno noturno. A primeira gestora a iniciar com todo este funcionamento fora a professora Florita Bitencourt. Na sequência outras nobres professoras empenharam-se em dar o melhor de si na gestão escolar, como as professoras Dona Viana, Dona Creusa, Vilma, Nonoca, Dona Filomena, Rosa, Ana Lúcia, Jocione e hoje o professor Saulo.

Como memorialista faço estas referências para saudar a Escola Acrísio Figueiredo na passagem dos seus quarenta anos. Mas como pai, tenho um voto de gratidão às professoras que ensinaram a meu filho, Randolfo, pois entre 1993 a 1996, quando residia e estava à frente da educação municipal de São João Batista, foi lá, que ele sequenciou seus estudos. Hoje, gestor ambiental, ele é só mais um dos grandes nomes que enobrecem a quadridecana escola estadual da Rua Vereador Pedro Fonseca Lindoso.

Hoje já refeita, a nossa velha escola atende a jovens estudantes do ensino médio que tem o dever e a responsabilidade de continuarem a levar aos píncaros da glória o bom nome e o bom ensino que ali sempre se fizera fecundo.

Parabéns a todos os alunos e professores que fizeram e fazem a história do Acrísio Figueiredo!


domingo, 19 de novembro de 2017

A CRÔNICA DO DIA

HOJE É DIA DE...  

MIRREGUE, O PEGADOR!

(*) Nonato Reis

Nonato Reis
Eu participava de uma operação nacional do Projeto Rondon em Mari, um município nos arredores de João Pessoa, na Paraíba. Como a minha função era de supervisão, sobrava-me tempo para conversar com os moradores, conhecer o seu quotidiano, identificar seus personagens. Certo dia um líder comunitário aproximou-se de mim e comentou: pena que você chegou tarde e não conheceu o “Mirregue”.
Levei um susto. “Mirregue?” “O que significa isso?” O cara sorriu e explicou. “Mirregue foi um milagre da espécie macho, o maior pegador que conheci. Ganhou esse apelido ainda na infância. Baixinho e rechonchudo, adorava fazer sexo com animais, de preferência vacas e jumentas". 
Como não conseguia alcançar a altura ideal para a cópula, pedia a ajuda de alguém, dizendo 'mirregue'!, que significa 'me sobe, me levanta'.
Eu caí na risada e quis saber mais sobre o mito. O líder contou-me que a compulsão por sexo o fazia diferenciado. “Dizem que nem Salomão foi páreo para ele. Nunca passou uma noite sem sexo. Teve mais de 2.000 mulheres, e em pelo menos metade delas deixou herdeiros. Quase formou uma cidade só com os seus descendentes. O cara era um reprodutor contumaz. Não havia nada igual”.
Ocorre que o tempo passa para todos, e para ele passou rápido demais. Um dia, sem mais nem menos, o pinto de Mirregue embicou e parou de funcionar. Para ele foi como morrer. Entrou em depressão, deixou de comer, ficou transtornado. Os amigos o aconselharam a procurar um médico, não um médico qualquer, desses que dão consulta toda semana em postos de saúde, porém um especialista do ramo.
Com muito sacrifício conseguiu a consulta e explicou o seu drama ao urologista que, alguns exames depois e meses de espera, receitou-lhe umas pílulas branquinhas, com a recomendação de que não extrapolasse a dose, que devia ser apenas um comprimido antes do ato sexual.
Mirregue, ansioso para ver o companheiro de volta ao batente, ignorou a recomendação do médico e tomou logo cinco cápsulas de uma vez. O efeito foi avassalador. Com o pinto vivíssimo novamente, partiu para descontar o atraso. Pegou a esposa e com ela passou a noite inteira dedicado aos prazeres da carne. No dia seguinte, morta de sono e alquebrada, e vendo o marido naquela danação louca, arrumou as trouxas e abandonou a casa. 
Ele olhou em volta e se deparou com a cunhada, que assistia à cena estupefata. Sem tempo a perder, deitou-a no chão de cimento duro e lançou-se sobre ela. Já no final da tarde, igualmente exausta, a cunhada se desvencilhou das garras de Mirregue e bateu em retirada.
Foi até a cozinha e esbarrou na empregada Tertulina, famosa pelos atributos traseiros, que procurava algum condimento nos armários da pia. Lá pelas tantas da noite, Tertulina, suando em bicas e com as pernas bambas, conseguiu escapar do massacre e correu para a rua, a gritar por socorro. Alguém precisava fazer alguma coisa. Ou amarravam o patrão ou ele colocaria a população feminina da cidade em polvorosa.
Vendo Mirregue de arma em punho, pronto para novas refregas, os vizinhos não tiveram outra saída: enrolaram-no em um lençol e o levaram para João Pessoa, onde passou por uma intervenção cirúrgica para desobstrução dos canais que irrigam o pênis e sustentam a ereção. Mirregue livrou-se do priapismo, mas seu companheiro de jornada sexual aposentou-se, para sempre condenado à flacidez.
De desgosto definhou e viu a morte surgir diante dele. No leito mórbido, às pessoas que o tentavam reanimar, oferecendo-lhe alimento, ele respondia num fiapo de voz: “eu quero é f...”. Depois, já sem voz, quando lhe perguntavam se queria alguma coisa, quem sabe um chá ou uma colherzinha de leite, batia várias vezes com a palma da mão direita na outra mão fechada, num gesto que simboliza o ato sexual.
Já perto do fim, pálido e sem forças, apenas encostava a ponta do dedo indicador de uma mão na entrada do círculo formado pela outra mão, como quem toca cuíca, em resposta sobre se desejava alguma coisa.
Até que os movimentos cessaram e o dedo saliente ficou para sempre enterrado no vão da outra mão. Após sua morte, a casa em que morava virou tapera e palco de assombrações. Tarde da noite, ao passar por ali, as pessoas diziam ver um vulto vestido em uma saia branca a implorar por ajuda: “mirregue!!!”


(*) Nonato Reis, é jornalista, poeta, cronista e romancista nascido em Viana-MA.
Por João Batista Azevedo (Interino)


Um golpe semântico

Os eleitores vão se deparar com novas denominações partidárias no ano que vem. “Avante”, “Podemos”, “MDB” e “Livres” são amostras grátis do mimetismo partidário que teremos em 2018. Não estamos falando exatamente de siglas novas, com novos programas. São as velhas agremiações, com as mesmas lideranças, tentando fugir da ira do eleitorado. Os eleitores brasileiros andam indóceis com a política e os políticos brasileiros. A perspectiva de todos, por causa dos casos de corrupção e das reformas em votação no Congresso Nacional, é que haja grande renovação política no ano que vem. Por conta disso, os partidos têm focado nas mudanças. O PTN virou Podemos. A presidente nacional do partido, Renata Abreu, no entanto, nega a relação. A sigla não é de direita e nem de esquerda e a inspiração veio do “yes, we can”, de Barack Obama. O PTdoB passará a se chamar Avante. O PSDC se intitula agora Democracia Cristã. O PEN quer passar a ser denominado Patriota. A ideia não tem como fundo nenhuma ideologia progressista. Os dirigentes admitem que pretendem mesmo é tirar a palavra “partido” temendo insucesso nas eleições de 2018.

O Partido Social Liberal (PSL) passará a se chamar Livres, Deus sabe lá o porquê. O partido defendia as ideias liberais e se manterá na mesma trincheira. Outro que pretende mudar de nome é o PMDB. A ideia é voltar a ser chamado de Movimento Democrático Brasileiro, o antigo MDB. O partido já não tem nada que lembre a velha sigla de oposição aos governos militares, do doutor Ulysses Guimarães. A proposta está no forno e poderá ser tirada do papel até o ano que vem. Os peemedebistas estão entre os mais afetados pelas delações premiadas e denúncias da operação Lava Jato. As principais lideranças, vale ressaltar, encabeçam dezenas de denúncias.
A onda das mudanças de nome não é nova. O Democratas se acostumou, ao longo de sua história, com as constantes mudanças de nome. De Arena, partido de sustentação dos militares, passou a ser chamado de PDS, depois PFL até chegar à denominação atual. Sem medo de errar, é possível dizer que as denominações mudam para “apagar” o passado, mas as lideranças e as ideologias costumam ser as mesmas. E o eleitor estará atento.


Até tu, Flávio?

A Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira (16/11), a Operação Pegadores, que apura indícios de desvios de recursos públicos federais por meio de fraudes na contratação e pagamento de pessoal, em Contratos de Gestão e Termos de Parceria firmados pelo Governo do Estado do Maranhão na área da saúde.
A operação contou com o apoio do Ministério Público Federal, do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil.
Cerca de 45 mandados judiciais foram expedidos pela Juíza Federal Paula Souza Moraes da 1ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Maranhão. Foram cumpridos 17 mandados de prisão temporária e 28 mandados de busca e apreensão em São Luís/MA, Imperatriz/MA, Amarante/MA e Teresina/PI, além do bloqueio judicial e sequestro de bens no total de R$18.000.000,00.
Durante as investigações conduzidas na Operação Sermão aos Peixes, em 2015, foram coletados diversos indícios de que servidores públicos, que exerciam funções de comando na Secretaria de Estado da Saúde naquele ano montaram um esquema de desvio de verbas e fraudes na contratação e pagamento de pessoal.
Pelo sim, pelo não, fazem-se necessários os esclarecimentos e a verdade!


Previsões pessimistas

Os prefeitos municipais na maioria dos municípios maranhenses estão completando o primeiro ano de seus mandatos, e quase a maioria já tem folha de pagamento de servidores em atraso. Alguns críticos até dizem que estamos diante de mais uma safra de “péssimos gestores” a exemplo do que foi a passada, com algumas exceções. Diante desse quadro, uma preocupação já paira sobre os funcionários concursados, a real possibilidade do não pagamento do 13º na data prevista pela lei. Se neste ano, os prefeitos já se mostram enrolados em suas gestões, imaginem no próximo ano que é eleitoral, pois geralmente, em anos de eleição, as folhas de funcionários são acrescidas de novos contratados, em geral fantasmas, com o único propósito de assegurar o voto.


Ecos da Baixada: o livro (I)

O lançamento do livro “Ecos da Baixada”, ocorrido na noite do dia 14 (terça-feira), representou um marco na história da literatura maranhense, notadamente nos anais das letras baixadeiras, e revelou-se um evento sobranceiro para o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense. O evento foi um “sucesso retumbante”, conforme testemunho de muitos participantes. Segundo o presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, os ecos da Baixada chegaram a Itapecuru-Mirim, sua terra natal. E o lançamento foi “o dia em que a Baixada parou o trânsito da Avenida dos Holandeses, em São Luís”. Proeza inimaginável para os 32 autores da coletânea e para os mais de 500 baixadeiros e amigos da Baixada ali presentes. Empresários, executivos, professores, intelectuais, deputados, vereadores, juízes, promotores, jornalistas e em especial familiares e amigos, todos prestigiaram o magnânimo evento.
  

Ecos da Baixada: o livro (II)


O livro que reúne crônicas e artigos sobre a Baixada, de autoria de 32 escritores, organizado pelo advogado, professor e escritor Flávio Braga, que é o Presidente de honra do FDBM (Fórum em defesa da Baixada Maranhense), é o primeiro de muitos outros trabalhos que poderão ser publicados pelo selo editorial da citada instituição. Ressalta-se que o evento e o produto tiveram uma aceitação muito boa pelos profissionais da imprensa. O público em geral que compareceu saiu satisfeito, enaltecendo o trabalho de todos os cronistas e articulistas. Em publicação, Flávio Braga resumiu: “Foi gratificante ver tantas pessoas disputando autógrafos, tirando fotos e fazendo selfies com os ecoeiros. Um verdadeiro festival de emoções”.
Eu, João Batista Azevedo, que me incluo entre os que produziram tão relevante obra, me sinto profundamente orgulhoso de fazer ecoar as potencialidades da nossa região. “Viva a Baixada!”


Edição de hoje do JP...!


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Ecos da Baixada, literatura e política

Se é verdade que os “gritos” em forma de letras contidos no livro Ecos da Baixada ecoaram pelo Maranhão afora, não é menos verdade que eles precisam ecoar também na política para que possam, além de ser ouvidos, atendidos nos seus legítimos pleitos

Não sei ao certo se a expressão “noite de gala” cabe para expressar o grandioso evento que foi o lançamento do livro Ecos da Baixada, ocorrido ontem, terça-feira, 14, na sede da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB). De qualquer forma, foi uma noite histórica para literatura maranhense e para os amantes das coisas simples, mas que dão sentido à vida. Aliás, simplicidade é uma marca do povo baixadeiro.

O livro foi organizado pelo escritor Flávio Braga e reúne textos de 32 coautores, naturais ou vinculados afetivamente à Baixada Maranhense, e conta através de artigos, crônicas, poesias etc, casos e causos referentes esse pedaço de terra que é um dos mais e belos ricos do estado.
No clássico “Os Sertões”, Euclides da Cunha escrevera: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Parodiando o imortal da Academia Brasileira de Letras, pode-se afirmar que “O baixadeiro é, antes de tudo, um forte”. Sim, pois viver naquelas brenhas entres rios, lagos e campos precisa ser realmente forte, macho, fêmea!
Há uma sensação de que já passa da hora de apenas escrever, filosofar e poetizar sobre a Baixada Maranhense. É hora do “fazer” pela Região! E só é possível fazer algo pela Baixada se for através da política, mas política assim, com “P” grande.

Para tanto, os baixadeiros precisam se impor e exigir espaços expressivos nas eleições de 2018, quiçá com candidato a vice-governador ou mesmo a senador. Além, claro, de candidatos a deputado estadual e deputado federal, gente realmente comprometida com a Região e com o seu povo.
Enfim, se é verdade que os “gritos” em forma de letras contidos no livro “Ecos da Baixada” ecoaram pelo Maranhão afora, não é menos verdade que eles precisam ecoar também na política para que possam, além de ser ouvidos, atendidos nos seus legítimos pleitos.
E viva a Baixada Maranhense! Essa é a palavra de ordem do povo baixadeiro.
(Do Blog do Robert Lobato)


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Coautores do “Ecos da Baixada” divulgam o lançamento da obra literária

A Rádio e TV Maracu de Viana recebeu na manhã de hoje (10/11/17) alguns escritores que participam do livro Ecos da Baixada no Programa Conexão Direta de Tânia Diniz.

Na oportunidade falaram sobre o lançamento do livro Ecos da Baixada, que ocorrerá no dia 14/11/2017, a partir das 18 horas na AABB em São Luís. Participaram da entrevista Ana Creusa Santos (presidente do Fórum), Elinajara Pereira Castro (Secretária Geral) e os forenses Benito Filho, Gracilene Pinto e João Carlos Costa Leite.

Ainda na ocasião, homenagearam os 32 cronistas que escreveram para o livro e enfatizaram a importância da obra para a Baixada, bem como as peculiaridades da região de muitos encantos e riquezas, mas carente de investimentos.
No sábado, João Carlos estará em Viana, para participação do Programa Baixada em Debate que irá ao ar no horário de 09 às 12 horas. Os forenses agradeceram a parceria e apoio da Rádio e TV Maracu e sua brilhante equipe.

Nestes últimos dias que antecedem ao lançamento do livro, fora disponibilizada uma agenda de visita aos órgãos de imprensa (jornal, rádios e televisão), com o propósito de divulgar o evento considerado um dos mais importantes da seara literária maranhense.

Já está agendada entrevista no Programa Ponto Final (Mirante AM) do radialista Roberto Fernandes, na segunda-feira, às 10:00h. À tarde, alguns coautores da obra também visitarão os programas “Conversa franca” na Difusora AM, às 13:00, apresentado por Diego Emir; às 15:00 será a ver dos coautores estarem no Programa Abrindo o verbo”, apresentado pelo radialista Geraldo Castro, na Rádio Mirante/AM.

Antes, já neste sábado, está sendo feita uma visita ao Programa do Galinho (Carlos Henrique), na Rádio Educadora, que é um dos mais ouvidos pelos baixadeiros, residentes aqui na capital ou nos municípios da baixada. No domingo, no horário das 11 da manhã, o Programa Domingo Mirante, apresentado pelo radialista Marcial Lima, receberá uma comitiva dos coautores do livro.

Veja na integra a agenda de divulgação do livro “Ecos da Baixada” na imprensa maranhense.

Mirante AM - Marcial Lima - Domingo -11h – João Batista Azevedo, Expedito Moraes e Flavio Braga
TV Assembleia - Segunda - 8h – Expedito Moraes e Ana Creusa.
Mirante AM - Roberto Fernandes -Segunda - 10h – João Batista Azevedo, Expedito Moraes e Chico Gomes.
Mirante AM - Geraldo Castro - 14h - Chico Gomes e Expedito Moraes
Mirante AM - Tércio Dominici - Segunda -21h – João Batista Azevedo e Expedito Moraes.
Difusora AM - Diego Emir - Segunda -13h – Ana Creusa, Gracilene Pinto e Hilton Mendonça.
Difusora AM - Kim Lopes - Segunda - 16h - Ana Creusa e Hilton Mendonça

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A maior obra literária da Baixada Maranhense vem aí! Lançamento do livro “Ecos da Baixada”.


Na próxima terça-feira (14/11) ocorrerá o lançamento da obra intitulada “Ecos da Baixada: coletânea de artigos e crônicas sobre a Baixada Maranhense”. O evento será realizado na sede da AABB (Calhau), a partir das 18 horas.

O livro foi organizado pelo escritor Flávio Braga e os textos são assinados por 32 coautores, naturais ou vinculados afetivamente à Baixada Maranhense.
A mencionada coletânea inaugura o catálogo de publicações do selo editorial “edições FMDB”, projeto literário concebido pelo Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), entidade da sociedade civil, sem fins lucrativos, com atuação na Capital e nos municípios da Baixada Maranhense e do Litoral Ocidental Maranhense.

A publicação congrega uma plêiade de escritores baixadeiros, uns noviços e outros já consagrados no mundo das letras, amantes de sua região de origem, que, a despeito da riqueza natural, da diversidade multifacetada de mar, rios, lagos, terra, campos, flora e fauna, de ostentar uma riquíssima cultura – até um sotaque peculiar, um léxico de palavras únicas – continua amargando o esquecimento e um desenvolvimento espasmódico que alcança, só precariamente, a sua gente laboriosa.

Ler o livro é fazer uma impressionante viagem pela Baixada, percorrendo os seus encantos naturais, lendas, valores, saberes, tradições, costumes, gastronomia… e as nostalgias, prantos, sonhos, reflexões e reminiscências dos cronistas e articulistas.

Esteja presente e seja testemunha do nascimento de uma obra que o ajudará a melhor conhecer a intimidade e bem compreender os encantos da nossa Região ecológica.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Relatório de CPI do Senado diz que Previdência Social não tem déficit

Senadores Hélio José (DF) e Paulo Paim (RS)
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, senador Hélio José (PROS-DF), apresentou nesta segunda-feira (23) o relatório final dos trabalhos ao colegiado, com a conclusão de que a Previdência Social não é deficitária, mas, sim, alvo de má gestão.
Segundo o senador, “está havendo manipulação de dados por parte do governo para que seja aprovada a reforma da Previdência”. Ele acrescentou que “quando o assunto é Previdência, há uma série de cálculos forçados e irreais”.
Em 253 páginas, o relatório destaca que o “maior e mais grave problema da Previdência Social vem da vulnerabilidade e da fragilidade das fontes de custeio do sistema de seguridade social”. No documento, o relator destaca que, “antes de falar em déficit, é preciso corrigir distorções”.
Outro trecho do documento ressalta que “a lei, ao invés de premiar o bom contribuinte, premia a sonegação e até a apropriação indébita, com programas de parcelamento de dívidas (Refis), que qualquer cidadão endividado desse país gostaria de poder acessar.
Proposta
Ao contrário da maioria das CPIs, que, segundo Hélio José, ao final costumam pedir o indiciamento de pessoas, desta vez, o relatório é apenas propositivo. Nesse sentido, sugere dois projetos de lei (PLS) e três propostas de emenda constitucional (PECs). Uma delas proíbe a aplicação da Desvinculação de Receitas da União às receitas da seguridade social.
Votação
Após um pedido de vista coletiva – mais tempo para analisar o parecer – o relatório precisa ser votado até o dia 6 de novembro, quando termina o prazo de funcionamento da comissão. Antes da votação final os membros da CPI podem sugerir mudanças no documento.
Histórico
Instalada no fim de abril , em pouco mais de seis meses, a CPI realizou 26 audiências públicas e ouviu mais de 140 pessoas entre representantes de órgãos governamentais, sindicatos, associações, empresas, além de membros do Ministério Público e da Justiça do Trabalho, deputados, auditores, especialistas e professores. A comissão é presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), e é formada por seis senadores titulares e cinco suplentes.
A Agência Brasil procurou a Secretaria de da Previdência, que até o momento não se manifestou sobre o relatório da CPI.

 (Do site: Congresso em Foco).

sábado, 14 de outubro de 2017

A CRÔNICA DO DIA

HOJE É DIA DE... 


ZÉ DA BURRA E O AMOR A “DAS DORES”

Por Nonato Reis

Imagem ilustrativa da internet
Nenhuma frase ou palavra seria capaz de descrever a relação de Zé da Burra com a “Das Dores”. Ele tinha por ela uma mistura de sentimentos que ia do amor à loucura, cruzando no caminho com o fanatismo e o desespero - uma força misteriosa que os ligaria para além da vida e do senso comum. Das Dores aparecera na vida do carroceiro ainda bebê, após um parto prematuro, que levou a mãe dela para o mundo invisível.
Órfã e necessitada de cuidados especiais, teria tido o mesmo destino da mãe, não fora a iniciativa de Zé, de levá-la para casa e dela cuidar como se fora uma filha.
Fizera-lhe cama de paparaúba – uma madeira leve e macia. Dava-lhe banhos diários, leite de cabra na mamadeira e atenção todas as horas do dia e da noite. Tanto desvelo despertou o ciúme da esposa, Joana, que não entendia aquela estranha ligação. “Home, tu ficou doido do juízo! Donde já se viu tratar um animal como se fosse gente! Nem comigo, que sou tua mulher, tu tem esse chamego”. Zé dava de ombros. “Deixa de besteira, Joana. A coitadinha é uma infeliz, que nunca nem conheceu a mãe. Se eu não tratar dela direito, como que vai se criar?”.
Sob os cuidados de um pai zeloso, Das Dores “empinou a curica”. Cresceu, ganhou peso. Tornou-se um belo exemplar da espécie equina. O amor entre os dois também se fortalecia a cada dia. Para onde um ia, o outro ia junto. Até nas festinhas de radiola, que Zé comparecia com frequência, lá estava a égua a lhe fazer companhia. Às margens do rio Maracu, Zé fazia a higiene do animal: dava banhos, podava a crina, penteava os pelo; inspeciona o estado dos dentes e das patas.
Conversava com ela como se fosse gente. Das Dores, aliás, tornou-se a confidente de Zé de todas as horas. E foi a primeira a saber quando ele decidiu mandar Joana embora de sua vida, após esta lhe ter dado um ultimato para que escolhesse entre si e o animal. “Vê se tem cabimento ela querer que eu me prive de ti! Antes vá ela cuidar da vida, que não sou homem de se dobrar aos caprichos de mulher”, ao que a égua parecia concordar, abanando o rabo de um lado a outro.
O desenlace do casamento, porém, foi traumático, porque Joana não aceitou passivamente ser preterida por uma égua. Após ‘fazer as trouxas’ postou-se na frente da casa e, aos berros, comunicou ‘ao povo da rua’ que se separava do carroceiro por infidelidade conjugal dele. “Que todos fiquem sabendo. O Zé, meu ex-marido - que agora eu não quero mais nem pintado de ouro - me largou por causa de uma égua! Isso mesmo que vocês ouviram: o Zé, meu ex-marido, me traiu com a Das Dores. Os dois estão apaixonados. Na maior sem-vergonhice, viraram amantes debaixo das minhas fuças”.
O caso, antes tratado “a boca pequena” – na comunidade até as paredes das casas especulavam que Zé e Das Dores mantinham uma relação muito além dos laços de amizade, ou de pai e filha, como ele preferia - tornou-se assim escancarado e foi bater na delegacia, por conta de uma queixa de moradores indignados com o que consideravam um atentado contra a moral e os bons costumes. O delegado Josias Carteiro, sem outra saída, viu-se obrigado a chamar o carroceiros às falas.
- Seu Zé da Burra, por mim nem mexia nesse negócio, porque eu já tenho muitos problemas para me ocupar. Mas acontece que recebi uma reclamação formal contra o senhor e é meu dever averiguar. O senhor está tendo um caso com uma égua?
O carroceiro, para surpresa do delegado, ao invés de rechaçar, confirmou a acusação e foi além:
- É verdade, seu delegado. Mais do que um caso, eu amo a Das Dores. E agora que eu me livrei da Joana, é minha intenção regularizar esta situação para que as coisas fiquem nos conformes da lei.
O delegado não entendeu o alcance das palavras de Zé e cobrou explicação.
- Desculpe, seu Zé, mas queira ser mais claro. O que o senhor quer dizer com “regularizar a situação”?
- Casar, seu delegado. Eu e a Das Dores vamos casar de papel passado. Não é assim que se resolve uma situação dessa?
O delegado fitava Zé com os olhos esbugalhados, sem saber se o carroceiro falava a sério ou fazia troça com ele.
- Seu Zé, antes de mais nada, não se esqueça que o senhor está diante de uma autoridade da lei. Não queria brincar comigo, porque o senhor pode se dar muito mal.
- Longe de mim desrespeitar o doutor Carteiro. O que eu quero é viver debaixo da lei, que sempre fui um homem sério e cumpridor de meus deveres.
O delegado então explicou a Zé da Burra que a ideia dele era impraticável, já que não havia como casar um homem com um animal. 
- Isso é contrário à lei, seu Zé.
- Onde que a lei diz que não pode, seu delegado?
- A lei diz que o casamento se dá entre um homem e uma mulher.
- Mas diz que não pode entre um homem e um animal?
- Não diz. Não precisa dizer.
- Seu delegado, o senhor me adesculpa, que sou um homem ignorante. Mas ouço dizer que aquilo que a lei não diz não é proibido. E já que não diz que não pode, é porque pode.
O delegado, já impaciente, e vendo-se jogado num beco sem saída pela pertinácia do carroceiro, despachou-o sob ameaça.
- Seu Zé, vá embora e não volte mais aqui, antes que eu mande prendê-lo por ofensa da lei. Procure a igreja e peça perdão pelos seus pecados.
Imagem da internet
A frase final do delegado acendeu uma luz na mente do carroceiro. Se a lei dos homens não o deixava casar-se com Das Dores, quem sabe a lei de Deus o permitia? Afinal, ele amava aquela égua como jamais amara alguém, e Deus abençoa o amor sincero.
Foi ter com o padre Jozino, que, anos atrás, fora um velho amigo de seus pais, já falecidos.
Na sacristia, onde dava orientações para a festa do mês mariano, consagrada à Virgem Santíssima, o padre o saudou com entusiasmo.
- Ora, ora, quem nos visita! A que devo a honra da sua presença, seu José?
Após pedir e receber a bênção do religioso, um homem já de cabelos grisalhos e venerado pela comunidade, o carroceiro foi direto ao assunto.
- Seu padre, eu quero me casar de novo.
O padre levou um susto.
- Mas já, seu José? Que eu saiba a sua esposa acabou de sair de casa.
- Saiu para não voltar mais, seu padre. Meu caso com ela está liquidado. É favas contadas.
- Bom, mas ninguém casa, descasa e casa de novo assim de repente, Seu Zé. O senhor terá primeiro que regularizar sua situação, perante a lei.
- A lei dos homens não me favorece, seu padre. Mas a lei de Deus, essa sim. Num é Deus que recomenda que deve de ter amor sincero entre um casal, para que seja abençoado por Ele?
O padre fitou Zé com interesse e o interpelou.
- Seu Zé, a propósito, quem é esta mulher, a quem o senhor jura esse amor aprazível a Deus?
- É a Das Dores, que outra melhor nunca vi.
- Das Dores? Não me lembro de tê-la conhecido. É nova aqui na comunidade?
- Seu padre, Das Dores é aquela eguinha que eu cuidei desde menina, dando leite na mamadeira, tratando como uma filha. Como que o senhor não se lembra? 
O padre arregalou os olhos e teve um acesso de tosse, que quase o matou. Em seguida, os olhos faiscando e lacrimosos, enxotou o carroceiro da sacristia.
- Retire-se da casa de Deus, que o senhor não é digno de estar aqui!
- Padre, pelo amor de Deus. Eu só quero a bênção do Senhor para a minha união com Das Dores. Não me negue isso.
- Deus não abençoa a desfaçatez. Onde já se viu casar com um animal? O senhor enlouqueceu?
- De amor, seu padre! Eu amo a Das Dores, e Deus abençoa o amor.
- Isto que o senhor chama de amor é coisa do demônio. E aqui não tem lugar para Satanás. Saia daqui imediatamente!
E de posse de uma vassoura, botou o carroceiro porta afora da igreja, como quem varre o lixo.
Triste, amargurado, Zé da Burra entendeu que estava perdido. Temente a Deus, jamais viveria fora das bênçãos do Senhor. Também não tinha como se afastar de Das Dores, o único ser vivo na Terra a quem jurara amor eterno.
Fechou-se em casa para sempre. Não mais comeu nem bebeu. Por amor, imolou-se. A notícia correu beirada e se espalhou no povoado feito fogo em canavial. “Zé da Burra morrera por paixão a Das Dores”.

Ao velório do carroceiro, quase ninguém compareceu. Apenas o padre Jozino, em face da obrigação sacerdotal, o sacristão Antônio, que o auxiliava no ofício, a ex-mulher Joana que, temente a Deus, achou por bem perdoá-lo, e a égua Das Dores, que não apenas assistiu ao enterro, como jamais se afastaria da sepultura, até os últimos dias de vida. Sem comer, e apenas tomando a água que brotava misteriosamente da cabeceira do túmulo do carroceiro, Das Dores morreu no alvorecer da primavera, três meses após o desenlace do companheiro.